Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

domingo, 25 de novembro de 2012

Montevidéu I

Meus amigos,

Continuemos a escavar as margens do Rio da Prata.

Desta vez, cruzemos juntos a fronteira uruguaia para percorrermos os interstícios de



Montevidéu I



Porque Dalí aprontou das suas em Montevidéu...



Quem dera o espectro fosse mais tangível do que sua cooptação



Porque a vida nem sempre é agora...



Sorriso pálido na Av. 18 de julho, a artéria da capital uruguaia



Narrativas ocultas pelas pálpebras cerradas



Em comparação com Buenos Aires, Montevidéu demonstra um certo desdém por sua beleza
(A quietude do caráter nacional se irradia para o belo plácido das calles)



 Se o capitalismo fosse sempre idêntico a si mesmo, vale dizer, se não houvesse nenhuma contrapartida para o ímpeto tautológico do (mais-)lucro, a imagem em questão seria mais um dos escombros entre os muitos estacionamentos e fast foods estúpidos de São Paulo. (De fato, God bless ignorance: há alguma esperança no fato de os empreendedores de São Paulo não falarem espanhol; ao menos por ora, o belo não precisa ser relegado à lembrança histórica do cartão postal.)



Blush



A paleta rosa sussurra para o inverno nu da árvore que as cores não demorarão a despontar



Só sinto não ter visto o outono do Rio da Prata - gostaria muito de ter ouvido o estalido das folhas secas contra o click da minha objetiva



Che tinha "La Poderosa", uma belíssima motocicleta
Eis o meu possante América Latina adentro



Quando os ramos da esquerda ficam ilhados pela palma da mão, ou por outra, quando o momento histórico torna nebulosa qualquer perspectiva de transformação da totalidade social, qualquer tipo de constestação se neutraliza como um "work in progress"
(Mero detalhe o fato de a indústria cultural saber escoar os ready-mades esquerdistas para os nichos de mercado de suas editoras.)



Dança do acasalamento



Forma à revelia do conteúdo



Meus amigos, ainda bem que a mediação protege vocês dos açoites do vento às margens do Prata



Anfíbio



O velho e o rio
(Porque Hemingway também aportou em Montevidéu)



Nunca vou esquecer que, aos 8 anos, contrastei concretamente o contorno livresco do litoral arregimentado por um atlas com as curvas sinuosas e salientes da costa



- Saúde, Flávio.
Obrigado



4 costados



Não vou me esquecer da longa conversa que tivemos com o Prata como testemunha, Sr. Juan Pablo
Visitei todas as cercanias que o senhor me indicou; só não posso garantir que resgatei o lirismo imagético que o seu baixo jazzista sempre trazia à tona nas noites de Montevidéu
Saludos, amigo!



Espectro intumescido



Breve armistício



Para onde iremos



1



2



3









Não sabia que Deus havia posto as barbas de molho



O marasmo democrático requer a leitura silenciosa



Quase me hospedei na varanda à esquerda



"Papai, papai, que desenhos são aqueles no céu, papai?"
"Talvez sejam os mapas dos profetas, Ricardinho"
"E pra onde eles levam, papai?"
"Bom, meu filho... Até agora, todos os caminhos levaram a Roma"



Lapso imperdoável: a agência de publicidade extra-oficial se esqueceu de dizer que, ao fim dos céleres quatro meses, já será possível ler o mais novo romance de Paul Rabbit
Afinal de contas, segundo o compositor de Raul Seixas, James Joyce escreveu romances cujos enredos cabem sem mais em um post do Twitter
Mas, se não me engano, Paul Rabbit chegou a afirmar certa vez que o universo, em sua simplicidade, bem cabe em um grão de areia. Pois muito bem, Paul: dada a micrologia do universo e dada a facilidade com que os conflitos encarniçados se reconciliam, me parece que o universo da sua língua portuguesa também cabe neste grão de areia, não é mesmo?



Afago para os leitores de "O Idiota":
conheçam Aglaia Iepántchina



Sentinelas



Corredor polonês



A memória se confunde com os vincos das cores em fuga



Quase me hospedei na varanda sobrelevada



Paleta
(O Passat 85 sintetiza a morosidade do tempo em Montevidéu)



Pálida



À esquerda, por sobre meu ombro, a hospedaria da Dona Concepción



Prenúncio de um jantar romântico...



... não tivesse sido eu o cozinheiro...



Em Montevidéu, a cadência dos passos modula o ritmo da captura fotográfica
Muitas vezes, em plena quarta-feira, me vi e ouvi só pelas alamedas de árvores nuas e retorcidas



Um amigo uruguaio, poeta ausente desta foto, pergunta pelo fim de Walter
Eis onde ele está, hermano, clique aqui e você o encontrará:
http://subsolodasmemorias.blogspot.com.br/2012/09/taliao-em-sao-paulo.html



Sleep with one eye open



"É sempre noite, senão não precisaríamos de luz"



O artista nos insinua a solução para que Caim não mais pise sobre a face da Terra
(O único problema é que Abel também será calado...)



eis a gargântula que conduz à casa uruguaia de Ródion Românovitch Raskólnikov



Cresci ouvindo pilhérias sobre o bom e velho Fiat 147



 Mas nenhum outro carro é tão solidário ao deserto de nossos bolsos
Basta encher o tanque para dobrar o preço do possante



Você já sonhou que morava em um bairro cujas histórias oprimiam a mais tenra possibilidade da imaginação? Como se, a cada prenúncio de uma estória, o novo tivesse que se curvar diante das camadas da memória. Talvez seja por isso que a altivez envelhecida quer tanto falar: é preciso libertar as estórias para que as costas abauladas deixem de sentenciar o aposentado côncavo 



Serenata



Where the rainbow ends



– Ana, tenho que te falar algo muito difícil...
– Que que foi, meu bem?
– Tenho que te falar algo muito delicado, Ana...
– Renato, que que foi?!
– Algo muito delicado...
– Renato!
– ... algo muito difícil...
– Fala,
– ... tenho que te falar.
– logo!
– Ana:
– Re-na-to!?
Eu te amo.




Ia perguntar se você imagina um sorriso assim em São Paulo, mas descartei a questão por sua completa ociosidade. No entanto, creio que vale a pena perguntar o seguinte: suponhamos que ainda haja tais escombros na capital que acaba de eleger Fernando Haddad. Muito bem: você acredita que ele resiste aos próximos dez anos da nossa construção civil? 



"Bem, vejamos..."



Enquanto isso, na Terra Brasilis...



... a Comissão da Verdade, sem qualquer poder punitivo, quer atestar para os devidos fins e enfins que os testículos esquerdos foram mais lastimados que os direitos
(Não à toa Hobbes afirmou que não há exército sem espada; também por isso a Justiça venda os olhos)



Entrevista prévia com os sogros - a bela à espreita



Lívido



Paulo Freire



Nicho de mercado



Em algum lugar da Av. 18 de julho



Enquanto as narcísicas arcadas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco emulam os anódinos presidentes da República Velha, a Universidad de La República mostra a que veio
(O DOPS uruguaio agradece pela localização prévia dos futuros torturados)



Não se engane: quem introjeta o sadomasoquismo a ponto de estudar Processo Civil transforma esse belo enclave em puro ressentimento. Afinal, por que enaltecer a vida quando o autoflagelamento deve caminhar sob a couraça do terno?



Presente de Hollywood aos grevistas



Presente do Sport Club Corinthians Paulista à freguesia do Santos Futebol Clube após o eterno 7 x1 que presenciei em 2005, no estádio Paulo Machado de Carvalho, também conhecido como Pacaembu



Os idólatras da natureza supõem que, em meio à selva, alcançam o coração das trevas
O único problema é que o coração das trevas foi mediado por Joseph Conrad, ou por outra, a única questão é que a nostalgia que se quer perto do coração selvagem precisa lidar com o fato capitalizado de que a natureza é efetivamente humana em nosso contato mediado pela cisão urbana



Para os leitores d'"O Processo", eis a fábula "Diante da Lei"



Acompanhemos Josef K. enquanto o punho do tribunal se lhe insinua



O leitor e este estoriador do subsolo fazem as vezes da quarta aresta



Os uruguaios discordam de Nelson Rodrigues:
Toda nudez irá castigar



 Minha nuca se ajoelha



Porque os leitores de "O Grande Inquisidor", capítulo fulcral d'"Os Irmãos Karamázov", já reconhecem que não é mais possível a fé a reboque do mistério. Se Deus não existe e tudo é permitido, é possível descobrir onde Deus se escondeu



Portal de Neverland



O problema é a sobriedade cotidiana da ressaca...
(Os leitores de Thomas de Quincey discordariam de minha afirmação se suas sinapses não trocassem a fala pelo olfato)




Austera



Síntese para os movimentos de independência da América Latina:
"Façamos a revolução antes que o povo a faça"



Antes o perigo que o escritório...



Sem a Dulcinéia, nem precisamos iniciar esta conversa, hombre...



Em meio à evacuação literária de nossos tempos, a estátua de Quixote de fato se transforma em um moinho de vento



Cárcere da imaginação



Porque o Direito transforma a maiêutica em brecha da lei



Euskera Ta Askatazuna



O Subsolo das Memórias ainda resgatará os escombros literários de uma guerra efetiva
(Se bem que a guerra civil paulistana me mandou um postal ontem...)



Concessão do vício à virtude: o capitalismo não pode prescindir do ourives, o último poeta rentável



Concessão da virtude ao vício: diante da demanda dos emergentes cada vez mais rentáveis, a ourivesaria de detalhes do poeta o acaba cegando



"E então?"



Fronteira



Você ouve o estalido da grama?



Depois de ler um texto de Ferreira Gullar em que o poeta chamava os espaços públicos brasileiros de "valhacoutos de mendigos", entendi por que nossas praças são como estações de trem: locais de trânsito, jamais de permanência. Como diria o poeta Francisco Alvim, munido do ethos de nossa sociedade eugênica, "o parque é bom, mas é muito misturado"



Em um botequim uruguaio, mais uma charla corriqueira
(Um físico chamado Albertinho discute as irradiações da relatividade)



Você consegue imaginar o estatuário urbano sem a guerra eqüestre?



Para os aficcionados por Ingmar Bergman:
"Luz de Inverno"



Jogo da velha