Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

domingo, 30 de setembro de 2012

Buenos Aires II


Meus amigos,

Voltemos à capital portenha para continuarmos percorrendo seus interstícios.


Buenos Aires II

No Brasil e na Argentina, os governos federais estão ocupados pelas gerações torturadas pelos antigos ditadores. Enquanto Dilma implementa a Comissão da Verdade para apurar o que teria acontecido nos porões do DOPS, Cristina enclausura ex-torturadores octogenários. Realmente, é preciso aplaudir a elite brasileira e seus braços armados pela palavra - Veja, Estadão, Folha e a mãe-mor de nossa indústria cultural, a Rede Globo. A justiça histórica é ressignificada em rancor da parte dos petistas. É melhor haver consenso e paz. Enquanto isso, as Rondas Ostensivas Tobias Aguiar ressoam o toque de recolher em diálogo com os subprefeitos de São Paulo, em sua maioria militares reformados


Tive uma sensação de náusea brasileira ao me deparar com o Congresso Nacional argentino em plena Buenos Aires. Afinal, Brasília e a usurpação do poder estão tão distantes em nossa no man's land
 



Que seria de São Paulo se a elite financeira pudesse, ainda que tangencialmente, coincidir com a elite intelectual? Será que teríamos que nos horrorizar com a Avenida Paulista ou conseguiríamos sorrir com a multiplicação dos peixes na forma de várias Casas das Rosas? (Só não nos esqueçamos de que o belo aristocrático demanda costas vergadas para que o tempo livre de alguns poucos não sinta o cheiro do nosso tempo preso; bom, nesse aspecto, a burguesia aprendeu bem a lição.)



E pensar que Niemeyer, ao projetar Brasília, quis que a construção, desde os seus primórdios, apontasse para a forma que a cidade tomaria quando estivesse terminada. O comunista Niemeyer queria que os operários também pudessem fruir Brasília, uma metáfora para a revolução que nunca houve no país que reverencia Hebe Camargo



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O investidor paulistano, ressentido pelo belo portenho, ao menos range os dentes:
"O real é duas vezes mais forte que o peso"



Mais uma Casa Rosada



Agora sabemos por que Higienópolis mantém a Praça Buenos Aires
(Só não nos lembremos de que a origem do bairro remonta à Cidade da Higiene contra os proletários e suas urticárias que viviam ao rés da Avenida São João.)



No Brasil, a Deusa Justiça de fato precisa dos olhos vendados



 Que diria Lênin se descobrisse que, na América Latina, o comunismo se posta como mais uma entre as idéias fora de lugar? Afinal, o Partido da Social-Democracia Brasileira faz as vezes para que o Partido dos Trabalhadores instaure a versão ultralight de nossa social-democracia, vale dizer, a implementação maciça de esmolas sem que o capital seja sequer confrontado. Uma tentativa de formação de mercado interno a perder de vista. Que diria Lênin, meus amigos? Bom, talvez o calvo mais ilustre do século XX tivesse que esperar sua vez para passar por mais um dos interrogatórios de Stálin realizados no subsolo da Lubianka, o Gulag encravado no coração de Moscou



Na América Latina, o tempo nos transforma, mas a História segue idêntica a si mesma



O Iluminismo vê a Razão transformada em sentinela instrumental dos lobbistas



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Ao conversar com os portenhos, entrevi que as manifestações reiteradas produzem, ao fim e ao cabo, um efeito algo parecido com a quase completa ausência de manifestações no Brasil. Como acontecem todas as semanas, as manifestações, segundo os portenhos, viram agenda a ser escoltada pela polícia. Lá como aqui, as estruturas de poder virtualizadas em ups and downs das bolsas desvalorizadas transformam em meros simulacros os anseios dos consumidores que votam



Sentinelas dóricas - ou seriam jônicas?
(Na dúvida, melhor fazer como a Igreja de Roma, a sucursal dos assassinos Bórgias: bíblia judaico-cristã.)



Assim no céu como na terra



Liberdade assistida



Queira, sim, mas mediatamente



Cooptação burguesa



Brecht já perguntara: "Quem soergueu as pirâmides faraônicas?"



Sentinelas da tradição



Olhos emparedados



Tom sob tom



Maria Joana e o logo criado por seu marido empreendedor, o protótipo do self made man da biqueira



Jogo...



... dos sete erros



Justapostos



Resposta à Revista Veja:



4 costados



Hostess



Ernesto de la Serna



El Che



Nudez invernal



Este estoriador do Subsolo e Larissa Sharápova, também conhecida por seus dois irmãos como Lara Palmer



Minha nuca se ajoelha



Subsolo das Memórias



Torcicolo



Ahora y nunca...



Amardelplata



Os farmacólogos up-to-date já aquiesceram quanto à inutilidade do manicômio. Afinal, quando a classe média é topada com Prozac e o miseralato já não tem olfato porque Sabesp sempre é saúde a céu aberto, por que ressuscitar o alienista machadiano Simão Bacamarte?



O General Francisco Franco pediu a seu amigo Adolf Schicklgruber, também conhecido como Adolf Hitler, que enviasse alguns agentes da Gestapo para perseguir um poeta da resistência neste preciso hotel



Espólio da Guerra Civil Espanhola



Acrofilia



E os liberais ainda ousam falar em livre concorrência?



Cristina, nós não nos esqueceremos. 
O problema é a liberdade de repressão de nossos meios de comunicação



Se a Avenida Paulista recebesse placas pelos mortos por conta de supostas resistências a prisões ou desacatos às autoridades, o Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt deveria abrir mão dos RGs assinados com polegares para lançar mão de tais certidões de óbito



América ainda mais latina



A copa ainda não desnuda insinua que a nudez sem mais ocorre em meio à enésima orgia palaciana



Paleta 



O dorso da Casa Rosada



Eis o mesmo estilo arquitetônico de que o Poupatempo lança mão



"Para que o belo? É preciso sanear os gastos, é preciso comprar salitre para o Restaurante Bom Prato, a mística das empresas de alimentação terceirizadas a R$ 1,00 
(Favor desconsiderar os custos licitatórios)



Ao menos um momento não de todo cooptado



A espinha dorsal dos escritórios rasga a felicidade do viajante



Sentinela de sódio



Curioso: os primeiros operários destruíam as máquinas. "Elas vão acabar com nossos empregos!" A sociedade ainda não havia despontado como uma totalidade que conseguiria suprimir as carências. Ainda mais curioso: hoje, as máquinas se multiplicaram, mas não trabalhamos menos. A classe operária não foi ao paraíso. O guindaste não acabou com a profissão do carregador. Apenas incitou sua criatividade: "amigo, busque, por favor, um outro sub-emprego". 
(A ironia contra o irônico: geralmente, quem lamenta o trabalho do gari não varre as ruas; o irônico contra a ironia: que sentir ao ver um gari assoviando enquanto executa seu trabalho?)



O sonho do burguês brasileiro: um operário que, ao menos, cheire a óleo
(Afinal, o jockey João Batista Figueiredo já dissera: pobre cheira pior do que cavalo.)



Porque Hemingway já aportou no Rio da Prata



Pescoço de lã



Porque as canções infantis são sempre lúdicas:
"Marcha, soldado, cabeça de papel...



... se não marchar direito, o DOPS vira quartel"



Porque o belo, etimologicamente, explode com o bellum, a guerra



Arranha e calcula o céu



"Papai, papai, os prédios também têm raízes?"



Os prédios reflexos da burguesia up-to-date exorcizam o belo



Jorge



Tango intumescido



Espólio do Rei Midas



A Pensadora
(Porque as feministas conquistaram Rodin com o Canto de Circe)



O templo portenho das letras



O Coringão pode até dar 1 a 0 de lambuja para os amigos de Jean Charles de Menezes



Jejum



Aroma



Quem te viu e quem te vê, Roma...



Se vocês aprumarem os ouvidos, ausculturão o sussurro



Sussurro ou lamúria?



Véu



Porque a Indústria Cultural patrocina a mais nova EDITORA MAIO DE 68 como o esquerdíssimo nicho de mercado para os estudantes e os nem tão estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP



Dueña Benta



Pois é, Che...



... hay que endurercerse



Fidelidade



"Allende, Allende, el pueblo te defiende"
Auguste Pinochet, acionista da pinacoteca de esquerda, enfim aceita patrocinar a exposição do 11 de setembro chileno. Quer mais informações? Eis o link:




Todas as quintas-feiras, às 15h, na Plaza de Mayo



Mães e órfãos



Dieguito



Enquanto Maradona defende as madres de Mayo, Pelé dá entrevista a Amaury Jr.
(Uma síntese para o self made man brasileiro que precisa esconder suas origens?)



Sorrisos algo etílicos



Guapa ;-)



Reparem no copaço de submarino - leite embebido por um míssel de chocolate - que minha irmã já secara



Decoro portenho

Quer continuar a percorrer os interstícios portenhos? 

Buenos Aires I

4 comentários:

  1. Luciano Costa Azevedosegunda-feira, 01 outubro, 2012

    E aí Flávião!?

    Parabéns por mais uma belíssima postagem. Tenho que te devolver as fotos do Rio. Qualquer dia a gente marcar um encontro.

    Grande abraço,
    Luciano

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  2. Fala, Luciano! Tudo bom, meu velho?

    Você tem meus telefones, não tem? (De qualquer forma, vou passá-los para você por email, tá?)

    Vamos combinar uma conversa, sim, claro. Te escrevo na seqüência.

    Grande abraço,

    Flávio Ricardo

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  3. Fala, Flávio! Beleza?

    Me hospedei na única que vez que fui pra Buenos Aires no hotel Castellar. Abrigou Lorca e a garçonete mais (mais? no momento era) linda que conheci, o desejo ficou na garganta, Quilmes, "muy bela", sorria, "yo escribo... hasta ahora yo no tenía una musa, pero ahora...", ela cora.

    Gostei da visita mediada... apesar de mediada. :)

    Abraço

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  4. Estive em BA em maio deste ano. Anexos: o protesto antiguerra das Malvinas, que a Cristina K. tentou levar os jovens à morte certa. No museu, trabalho do artista norte-americano: Bush f. literalmente os porquinhos, olha que são 2 Bushes.

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