Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

domingo, 2 de outubro de 2011

Tese: Se Deus não existe, tudo é permitido?

Clique na imagem para maximizar o texto original

Meus amigos,

Há quase 5 anos, a Folha de São Paulo promoveu uma discussão dostoievskiana em sua seção “Tendências e Debates”.


“Se Deus não existe, tudo é permitido?”
“Os Irmãos Karamázov”, Fiódor Dostoiévski


Como vocês sabem, contrapõem-se as posições SIM e NÃO.

Esta semana, o Subsolo das Memórias apresentará a tese deste debate dostoievskiano por meio do SIM do filósofo Luiz Felipe Pondé em “O mundo estilhaçado e a morte libertadora”.

Na semana que vem, apresentaremos a antítese do NÃO pelo texto “Uma ética humana”, do filósofo Renato Janine Ribeiro.

Após o texto de Luiz Felipe Pondé, faremos o papel do homem do subsolo, a personagem dostoievskiana por excelência, para contrapormos algumas questões que não se devem calar. Renato Janine Ribeiro passará futuramente pela mesma sabatina, de modo que a cada tese se contraponha uma nova antítese e que contra cada antítese desponte uma outra tese.

No labirinto dostoievskiano, a saída mimetiza uma nova entrada.

Retomemos, então, o “Tendências e Debates” dostoievskiano de há 5 anos.


Tese: Se Deus não existe, tudo é permitido?

SIM

O mundo estilhaçado e a morte libertadora
Luiz Felipe Pondé


“‘Se Deus não existe e a alma é mortal, tudo é permitido’ é um enunciado profundamente racional. Não se trata do lamento de uma mente frágil.

Os Karamázov são especialistas na pureza da razão teórica e prática. Movimentam-se em direção aos exageros da ‘função razão’: o objetivo é fundamentar o mundo pela sua decomposição e posterior reconstrução conceitual abstrata. Só que eles não encontram esse fundamento. Ao contrário, percebem a realidade despedaçada do mundo. O ‘tudo é permitido’ emerge dos estilhaços do mundo.

A razão de Ivan Karamázov (muito próximo da que o ceticismo e a sofística conhecem) percebe a vacuidade de qualquer imperativo ético universal: o mundo é estilhaçado pela liberdade que a morte nos garante.

Sem Deus, perde-se a forma absoluta do juízo moral: estamos sós no universo como animais ferozes que babam enquanto vagam pelo deserto e contemplam a solidão dos elementos. A morte, que devolverá a humanidade ao pó, é o fundamento último do nosso direito cósmico ao gozo do mal.

Esse ciclo nos liberta da única forma verdadeira de responsabilidade, a infinita. A moral é mera convenção e não está escrita na poeira das estrelas.

O filósofo Karamázov descreve o impasse ético por excelência: por trás do blablablá socioconstrutivista do respeito ao ‘outro’, o niilismo ri da razão. Na crítica à teoria utilitarista do meio (social) em ‘Crime e Castigo’, Dostoiévski já apontara o caráter ‘científico’ da revolução niilista fundamentada nas ciências sociais: se tudo é construído, toda desconstrução é racionalmente permitida.

Além de desconstruir, sabemos construir? O homem pode ser a forma do homem?

A modernidade achou que sim. Kant pensou que, com seu risível imperativo categórico, nos salvaria, fundando a racionalidade pura da moral. Conseguiu apenas a exclusão cotidiana de toda forma de homem possível.

A miserável ética utilitarista (a ética do mundo possível), síntese da alma prática que só calcula, busca na universal obsessão humana pelo prazer a fundamentação de uma ética para homens, cuja forma universal são merceeiros ingleses (Marx).

O humanismo rousseauniano apostou na educação para a felicidade e virou auto-ajuda.

Contra a fé em Kant e na economia, Dostoiévski descreve nos ‘Demônios’ a trindade que funda o projeto do homem pelo homem: o jovem melancólico sem subjetividade (Nicolai, o existencialista elegante), o pai e professor preguiçoso e ‘sensível’ (Stiépan, o amante das modas revolucionárias em educação, poesia e ciência) e o filho niilista cínico (Piotr, o patrono dos jacobinos, dos marxistas e dos cientistas da economia prática, esses burocratas da violência.)

Entender esse enredo como desespero de uma alma religiosa é senso comum banal. A banalização é um modo corriqueiro de a modernidade lidar com o que não conhece (e ela conhece muito pouco de tudo, mas é tagarela e ama o superficial, como diria Tocqueville.)

A falácia comum é a suposição de que o intelecto teológico necessariamente teme o sofrimento. O único medo em Dostoiévski é aquele mesmo de Cervantes: ‘O medo tem muitos olhos e vê coisas no subsolo’. O erro de Nietzsche quando reduz a religião ao ressentimento se transformou em ‘papo cabeça’.

O argumento dos Karamázov é um diagnóstico, não uma oração pela salvação do homem: o sentimento real de que deslizamos aceleradamente sobre fina casca de gelo mortal é prova sublime do seu caráter profético. A história aqui nos basta. Dostoiévski anuncia a comédia trágica daqueles que deixaram de acreditar em Deus e, por isso mesmo, passaram a acreditar em qualquer reforma barata.

Contrariamente ao que pensava a risível crítica moderna da religião, o contato com Deus fortalece o intelecto nas mais ínfimas estruturas lógicas e práticas de sua natureza”.

Luiz Felipe Pondé, filósofo, é professor do programa de pós-graduação em Ciências da Religião do Departamento de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da FAAP. É autor de, entre outros títulos, ‘Crítica e Profecia, Filosofia da Religião em Dostoiévski’ (Ed. 34).

Perguntas que o homem do subsolo faria a Luiz Felipe Pondé:

1)
O senhor afirmou que o objetivo de meus irmãos Karamázov teria sido o de “fundamentar o mundo pela sua decomposição e posterior reconstrução conceitual abstrata”. Segundo o senhor, meus irmãos Karamázov “não encontram esse fundamento”.

Nesse sentido, pergunto-lhe: em que momento a religião conseguiu encontrar um fundamento efetivamente transcendente para dar sentido à vida dos homens – e idosos e mulheres e crianças de que o senhor parece se esquecer – a partir da fratura histórica que levou a sociedade a não mais ser vista como um todo feudal? Lembremos, senhor Pondé: quando o Espírito pairava sobre a face do abismo feudal, a desigualdade dava o tom para que Deus fosse a instância vingativa a lembrar os humanos de sua dívida com o inferno.

2) O senhor afirmou que “sem Deus, perde-se a forma absoluta do juízo moral. (...) Esse ciclo nos liberta da única forma verdadeira de responsabilidade, a infinita”.

Nesse sentido, pergunto-lhe: a inexistência de Deus tornaria nula a forma absoluta do juízo moral pelo fato de o inferno não ser mais efetivo?

O seu raciocínio divino não estaria associando a responsabilidade infinita ao pecado original – e infinito?

Pressupõe-se, então, que os humanos somos crianças inequívocas, de modo que Deus ainda precise aparecer a um Profeta-Führer no monte Sinai para que os Dez Mandamentos apontem o dedo em riste. Do contrário...

Pressupõe-se também que, se tal ciclo nos liberta, os humanos não sabemos o que fazer com essa liberdade. Precisaríamos de uma sociedade orgânica e hierarquicamente organizada, tal como a medieval, para que Deus voltasse a dizer que a desigualdade sem culpa é divina?

Será que o senhor Pondé, quiçá um rematado burguês, não considera que esses pobres estão pedindo demais?

À época em que Deus pairava sobre a face do abismo, a caridade era suficiente.

Hoje, o pobre parece ter a ousadia de querer ser tão rico e vazio quanto o burguês.

O Filho de Deus já advertira: “é mais fácil um camelo [o nó grosso de uma corda] passar pelo buraco de uma agulha do que o rico alcançar o Reino dos Céus”.

Mas essa pobreza de espírito por parte de Cristo não deixou de anunciar a máxima posterior: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

Será que o problema não estaria no relativismo não apenas ético, mas sobretudo social que se instaura com a ausência de Deus?

Como é que cada um pode exercer sua responsabilidade infinita – ou por outra, aceitar seu lugar respectivo na hierarquia social – se Deus já não pode ser a instância que assegura a desigualdade?

Suspeito que Cristo deu um tiro no pé quando disse que “os mortos devem enterrar os mortos”.

Que a competitividade dilacere os entes competitivos.

Que pode Deus fazer a respeito de tudo isso, senhor Pondé, além de rezar?

3) O senhor afirmou que “se tudo é construído, toda desconstrução é racionalmente permitida”.

O senhor vislumbra a história e vê apenas a barbaridade.

Não é à toa: Auschwitz, Hiroshima, a Sibéria e a África não estão para brincadeira.

Mas por que entrever Deus como uma instância que paira sobre qualquer tipo de construção?

Quando analisamos a mesma história que lhe dá aversão, senhor Pondé, descobrimos que a identidade de Deus jamais coincidiu consigo mesma.

Os humanos o criamos e recriamos à imagem e semelhança de nossos medos – e de nosso poderio. (Não nos esqueçamos de que o Deus do amor, no Novo Testamento, também já foi o Deus da Guerra, quando da Velha Aliança.)

É bem verdade que Auschwitz foi uma desconstrução racionalmente permitida.

Mas também o foi o princípio de que o réu não está coagido a produzir provas contra si mesmo.

O senhor se lembra de que a Igreja Católica Apostólica e, sobretudo, Romana utilizava a confissão sob tortura como a mãe de todas as provas?

E mais: quando o medievo não permitia desconstruções intelectuais, as desconstruções bélicas por meio das cruzadas não deixaram de empalar os infiéis, não é mesmo?

E se nada é construído, senhor Pondé, já que Deus paira sobre a superfície do abismo, como entender a diversidade de credos?

A desconstrução histórica pode – ou não – levar à convivência dos contrários.

Os povos poderiam – ou não – entender que os seus deuses nacionais fazem parte de um mesmo desenvolvimento social que o capitalismo tornou unívoco. (Pois é, senhor Pondé: o capitalismo também possui germes revolucionários, pois apenas o sistema mundial pôde mostrar a cristãos, judeus e muçulmanos que eles têm muito mais a ganhar quando trocam entre si.)

Por que dizer que a relatividade das desconstruções racionais implica necessariamente o caos?

E quanto às conquistas históricas das categorias de justiça e convivência social?

É bem verdade que a noção antiga de Deus já não consegue apaziguar os ânimos centrífugos.

Hoje, não há fatores objetivos abaixo dos quais já não se admite a vida humana?

Tais fatores, ainda que vivenciados apenas pela minoria da dita humanidade, não representam conquistas éticas e históricas que já não admitimos que sejam desconstruídas?

4) O senhor perguntou: “Além de desconstruir, sabemos construir? O homem pode ser a forma do homem?”

Aqui o senhor se mostrou de fato dostoievskiano.

Eis o desafio que a história ainda nos traz.

A utopia marxista que o senhor desancou em seu texto procurou dar uma resposta a esta questão.

Conhecemos a lição que a história nos legou.

A utopia negativa, a distopia.

No entanto, creio ser válida a seguinte pergunta: por que não exumar o cadáver da reorganização racional da sociedade por meio da justiça social?

Ora, não estamos exumando o velho Deus?

Me parece que, sub-repticiamente, os críticos da transformação social gostariam de sussurrar o seguinte: “olhem, vejam só, em nossa sociedade, ao menos alguns temos um pouquinho. Na nova experiência por vir, não haverá nada a garantir a sustentabilidade, uma vez que a tradição será solapada. O que é que poderá refrear o ressentimento social quando a revolução estourar?”

Levo esta pergunta a sério, ainda que ela reverbere um forte caráter reacionário.

O que poderia refrear o ímpeto de vingança social se o poder fosse tomado por aqueles que hoje são desprezados?

Nesse sentido, pergunto-lhe, senhor Pondé: não haveria um cerne construtivo em toda e qualquer desconstrução, na medida em que, ao longo da história, tentou-se manter a sociedade para além de suas milhares e milhões de guerras autofágicas?

A sociedade não seria o sucedâneo de Deus?

Por que alijar a sociedade do relativismo próprio às muitas alteridades se todos trabalhamos e mantemos o todo social?

O Deus-sociedade seria não a síntese ontologicamente distante das criaturas, mas a somatória de cada um de nossos anseios.

Que haja conflito – e por que não?

Precisaremos sempre de um Deus Pai para nos dar palmadas no bumbum?

Mas talvez seja necessário que a antiga noção de Deus sobreviva: a desigualdade que lhe dá guarida, em meio ao capitalismo, tende a naturalizar as diferenças de classe.

Com Deus ou sem Deus, chegamos a um cinismo sem igual.

O empresário e o lixeiro vivem reciprocamente em sociedade. Sem o lixeiro, o empresário seria contaminado pelo mesmo excremento que condena o gari.

A humanidade ainda não encontrou uma maneira de produzir e distribuir sua riqueza para que atividades desumanas não mais sejam feitas por seres humanos.

Usar Deus para apaziguar o ressentimento continua a ser eficaz, senhor Pondé.

Mas não me parece nada ético – e divino.

“O homem pode ser a forma do homem?”

Eis a questão.

Sabemos que, até hoje, Deus também não pôde nos fornecer uma resposta.

15 comentários:

  1. Caro Flávio,
    Desde essa célebre questão podemos dizer que houve uma confusão entre "alma" e "lama".
    Daí escrevemos um poema, que vai mais abaixo.
    Espero que goste.
    Abraço fraterno,
    Raquel
    PS: Em tempo, sexta-feira, dia 07/10, apresento uma palestra sobre Lorca no Centro Cultural SP, 19h30min
    Ficaria feliz se você fosse e divulgasse entre amigos.
    ALMA E LAMA

    Quando foi que a lama se transformou em alma?
    Era tudo brejo,
    Terra agitada,
    Fermentada
    E plástica,
    Solo palpitando de bolhas,
    De larvas,
    De insetos,
    Rabinhos com olhos de feto
    E vieram o sopro,
    O ar nos pulmões,
    A vida pelo sangue,
    Pelo fígado,
    Pela medula e ossos,
    Pulsando quente
    Como chama.

    Quando foi que a alma se transformou em lama?
    Era tudo espírito,
    Energia,
    Fio de prata,
    Palavras e gestos,
    Imagens que brotavam
    Do intelecto,
    De uma fonte de amor
    Luminosa e intacta
    E vieram os desejos,
    As paixões,
    As trevas,
    A ausência de sombra
    E a alma rolou no lodo,
    Vagando
    Como um fantasma.

    Corpo nu,
    Contaminado,
    Enterrado na lama,
    Tumor que lateja
    Coberto de lesmas,
    Lêndeas
    E gosmas;
    De repente, as águas da chuva
    Lavam o corpo
    E da boca
    Sai uma borboleta.

    Lama e alma,
    Apenas uma asa,
    Uma letra.

    ResponderExcluir
  2. Seus estilhaços continuam me cortando a carne. Mantive minha nuca ajoelhada o quanto pude. Todavia, meu ventre não cabe mais naquele sub-sólido. O peito nômade que você conheceu se separou de mim no mesmo dia do nosso último encontro, na escrivaninha do 16º andar.

    ResponderExcluir
  3. João Américo Simãosegunda-feira, 03 outubro, 2011

    Caro Flávio, por mais que seja complicado, Deus existe e tem reparado em tudo que o homem faz, ele deu-lhe o direito pensarmos da nossa maneira, Deus sabe quando ele pode agir e nem um homem pode esforçar a Deus a fazer a vontade do homem.

    Têm-se feito regras por parte do homens e o homem as cumpre, em alguns pontos são secretas estas regras, será que Deus não poderia ditar (como ja ditou)algumas e homens cumprirem ao pé da linha?

    Para terminar lhe digo que Deus é tão bom e quem crê no caminho dele se regozija!

    Um abraço e tudo de bom.

    ResponderExcluir
  4. Olá, João!

    Fico contente que você sempre apareça aqui no Subsolo das Memórias!

    Essa foi a primeira parte de uma discussão sobre Deus a partir de Dostoiévski. Semana que vem, vou apresentar um outro prisma da percepção de Deus, um prisma que considero mais maduro, mais histórico, mais autônomo.

    Vejamos, então, o que você terá a dizer, João.

    Tendo a perceber que a percepção antiga de Deus já não fornece respostas para o mundo atual.

    Um grande abraço,

    Flávio Ricardo

    ResponderExcluir
  5. João Américo Simãosegunda-feira, 03 outubro, 2011

    Meu caro amigo Flávio, ê um prazer poder conversar consigo, tenho aprendido muito.

    Talvez, no seu ponto de vista, pode ser que o velho testamento não dê a resposta ideal para o mundo atual, mas vejamos.

    Deus criou homen segunto a sua semelhança.

    Caro Flávio, imagine você construir um imóvel e depois destruí-lo, tem sentido isso?

    Ja imaginou um pai gerar um filho com amor e depois destruí-lo?

    Amigo por uma falha de Adão e Eva estamos sujeitos a intrigas horrendas, isto tudo terá um fim, podes crer que está próximo.

    Obrigado por tudo, longa vida para você.

    ResponderExcluir
  6. Fala, João!

    Então, me parece que, justamente, precisamos superar essa concepção culposa do mito adâmico para que alcancemos uma forma de organização social que faça Deus coincidir com a própria evolução da humanidade.

    Se pensarmos na misoginia, na criminalização do sexo e na culpabilidade que o mito adâmico pôde gerar, veremos que não faz mais sentido orar para um Pai vingativo em uma época em que a humanidade precisa ser completamente responsável por si mesma - os dilemas do desmatamento da natureza não me deixam mentir.

    A metáfora judaica, portanto, guarda a beleza de um período que somente persiste pelo fato de a humanidade ainda não ter se reconciliado consigo mesma - se é que algum dia virá a fazê-lo.

    Semana que vem, vou postar a segunda parte desta discussão. Estarei curioso para ler o que você tem a dizer.

    Um abraço,

    Flávio Ricardo

    P.S.: Você é angolano, João? Conhece o Brito Kabebe? Você está em Moscou? Eu morei em Moscou durante um ano, João, e lá conheci o Osvaldo, o Índio e o Kabebe, todo o pessoal que tá Universidade Russa da Amizade dos Povos (RUDN, em russo).

    ResponderExcluir
  7. João Américo Simãoquarta-feira, 05 outubro, 2011

    Flávio, as tuas ideias não deixam de ter fundamento, mas me responda à seguinte pergunta.
    Seria um bom ou mau pai deixar o filho fazer o que bem lhe entende?

    Seria bom um filho de 5 anos questionar a sabedoria de seu pai?

    Será que o que está a contecer na nossa era, neste seculo, é da vontade do Deus Pai todo poderoso?

    Amigo, o velho testamento diz que Jeová se comunicava com o homen terreno, mas deixava o livre arbítrio (decidir o quiser da sua vida e definir o bem e o mal)

    Isto, Jeová deixou o homem conduzir a sua vida dentro da própria lei divina, e nós decidimos seguir o que achávamos certo ou errado, e até hoje continua.

    Por favor, leia com veracidade o Gênesis, capitulo 4, V; 1 até 10, nos nossos dias estes problemas acontecem, também Jeová ficava triste com algumas ações dos homens.

    Deus não ê vingativo, as escrituras sagradas relatam mas là para frente ele, Jeová, entendeu dar o seu filho, não o terceiro nem quarto ou último filho, mas sim o primeiro, o encarregado da obra de Jeová, Jesus Cristo, para nos resgatar da perdição, dando-nos uma nova chance de ter uma vida melhor, segundo o novo testamento.

    Para lhe dizer, Flávio, o nosso mundo está a ser gerido pelo próprio homem e o magogue de magogue, Satanás, não duvide! Se o homem seguisse o que está escrito na escritura sagrada, o mundo estaria melhor.

    Amigo Flávio, sou sim angolano e amigo de Osvaldo, também angolano, e estou a residir em Angola.

    Sem mais nada de momento, João Amêrico Simão

    ResponderExcluir
  8. Olá, João!

    Como alguém que tem muitos questionamentos metafísicos e que ama a literatura, devo dizer que a bíblia jamais deixou de constar no rol das minhas leituras mais entusiasmadas.

    As belezas e as contradições da bíblia sempre me instigaram.

    Nossa discussão prossegue, João, porque eu sinceramente acredito que essa concepção de Deus não consegue mais dialogar propriamente com a modernidade. Me explico: é difícil sustentar a tese de que o Deus do Velho Testamento não seja vingativo, irascível, passional e parcial. Ficou ao seu alvitre afogar todos os filhos após a criação; foi de sua vontade devastar Sodoma e Gomorra. E quanto às muitas mortes no Egito até que fosse dada a liberdade ao povo judeu?

    O Deus do Velho Testamento é um deus nacional, João. Não havia uma integração global das sociedades àquela época. Mesmo se pensarmos em Cristo, João, veremos que o "amor ao próximo" é, precisamente, o amor ao próximo que está contíguo, que está ao lado, já que as fronteiras do mundo eram estreitas e provincianas.

    Atualmente, a humanidade já não pode aceitar um Deus que revogue por sua própria vontade as conquistas tênues que a história nos pôde legar. Pensemos: se você for pai, João, será que você aceitaria apresentar seu filho à imolação apenas pelo fato de Deus querer testar a sua fé? Não, isso não é aceitável.

    O Decálogo de Moisés apresentou um princípio de organização social para as tribos nômades que vagavam pelo deserto. A humanidade evoluiu e também involuiu em muitos sentidos. Não podemos aplicar imediatamente uma codificação que desconsidera as inúmeras diferenças éticas e sociais entre o povo de Moisés há mais de 3 mil anos e a civilização atual.

    Eu entendo que você esteja preocupado com a falta de ordenamento que parece rasgar a contemporaneidade, João. Mas se trata de fazer com que essa responsabilidade sempre contingente - e não infinita, como o teólogo quis defender no ensaio do blog - seja compartilhada por todos. Quando chegamos a este ponto, percebemos que há uma forte contradição entre a forma de organização social em que vivemos e a possibilidade do amor mútuo.

    Deus não precisa estar em um plano ontológico outro e distante, João. Ele pode coincidir com a totalidade do corpo social.

    Se isso é possível, se podemos construir uma sociedade justa que apazigue as divergências e que saiba conduzir os necessários conflitos, aí está uma questão vigorosa. Mas não creio que possamos apostar em concepções anacrônicas. Se a espiritualidade não acompanhar a razão, João, ela ficará ilhada em nichos que já não poderão dizer para todos, mas apenas para uns poucos.

    Você não procura conduzir a sua vida segundo preceitos racionais? A humanidade levou milênios para chegar à possibilidade de conferir autonomia efetiva - eis aqui o efetivo livre arbítrio - para todos e cada um.

    Como é que o livre arbítrio pode conviver com um Deus que, em um momento de ira, decide exterminar seus filhos? Se não fossem as barganhas e súplicas de Moisés, Deus exterminaria os idólatras do bezerro de ouro no sopé no monte Sinai. Onde está, então, o efetivo livro arbítrio, João?

    O que você acha desses pontos?

    Então quer dizer que você é amigo do Osvaldo. Estivemos em contato enquanto eu morei em Moscou, João. Mande um grande abraço pra ele!

    Um abraço,

    Flávio Ricardo

    ResponderExcluir
  9. João Américo Simãoquinta-feira, 06 outubro, 2011

    Caro amigo Flávio,

    Peço encarecidamente fazer uma boa leitura e entender as escrituras sagradas.

    Veja bem: não existe Deus do Velho Testamento nem do Novo Testamento, há sim um Deus para todos os tempos, estou a falar do passado, presente e futuro.

    Falando de Sodoma e Gomorras e a situação do Egipto, são épocas totalmente diferentes e cada uma com a sua preocupação.

    Flávio, todos os países têm leis e temos que cumpri-las de acordo com as leis vigentes dentro do estatuto de cada Estado, senão somos penalizados, a mesma história em Sodoma.

    Flávio, neste mundo existe uma lei soberana e divina, e temos de cumprir, não importa o tempo em que vivemos. Sodoma fugiu à dança da
    lei divina e quase na sua totalidade, vou lhe mostrar alguns exemplos que se faziam, ok.

    Lá, em Sodoma, existiam homens sanguinários, a prostituição era elevadíssima, a bandidagem era extrema, homens tinham relações sexuais
    com outros homens, também isso aconteceu com as mulheres, a fornicação era o pão, ninguém obedecia à lei de Deus, as leis do Antigo
    Testamento, mas sim a lei dos homens e dos prazeres, vingança e o não arependimento.

    Julgar Deus é completamente fora de sentido, Flávio. A Bíblia é milenar e Deus já existia muito antes da criação do mundo.

    Achas, Flávio, difícil Deus controlar o mundo de ontem e de hoje?

    Acredite, Flávio, a antiguidade ê um posto para o homem e para Deus.

    Amigo, a Bíblia ensina: Jesus disse que aqueles que absorvessem o conhecimento do único deus verdadeiro seriam abençoados. (João 17:34)

    É que nunca saberemos tudo sobre Deus. Isso faz sentido porque seus pensamentos e caminhos são mais elevados do que os nossos. (Eclesiastes 3:11; Isaías 55:8,9)

    Se Deus é um misterio incompreensível, não adianta nada tentar conhecê-lo. No entanto, Ele nos ajuda não so a compeendê-lo, mas também a desenvolver uma amizade achegada consigo.

    Deus se referiu ao fiel Abraão como "meu amigo", e o rei Davi, de Israel, escreveu: " A intimidade com Jeová pertence aos que temem".

    Flávio, respondendo à sua perngunta, procuro seguir a minha vida de uma forma normal, socialmente falando e tento respeitar o próximo.

    Flávio, o livre arbítrio não se deve falar só na questão social, mas também na área espiritual.

    Você acha que, por ter livre arbítrio, você deve matar?

    Você acha que, por ter livre arbítrio, você deve julgar Deus? Ele, Deus, aceita.

    Você acha que, por ter livre arbítrio, você deve discriminar outras raças?

    Deus pode testar qualquer pessoa, Ele é o criador.

    Obrigado por tudo, mandarei o seu abraço ao Osvaldo.

    Um grande abraço, João

    ResponderExcluir
  10. PARTE I

    Olá, João!

    Cada vez mais podemos compreender que as concepções de Deus que estamos tentando expressar são diametralmente opostas. Então vou tentar abordar isso nesta mensagem.

    João, reitero a minha fascinação pela Bíblia como um todo. Mas, na sociedade contemporânea, João, a concepção de um Deus opressor que não deve prestar contas a quem e ao que quer que seja sobre os seus desígnios se mostra bastante incompatível com as (tênues) conquistas históricas da modernidade.

    Não concebo um plano espiritual distinto da vida material, João. Não estou afirmando a você categoricamente que não há o plano espiritual. Apenas estou dizendo que, de qualquer forma, é preciso que haja uma retroalimentação entre as esferas, do contrário se esvazia completamente a importância desta vida. Aliás, a tradição religiosa do cristianismo, fundamentalmente em seu período de apogeu católico, só fez depreciar a vida terrena - mas não nos esqueçamos de que os testamentos dos fiéis não deveriam se distanciar da Santa Igreja.

    Não se trata apenas de julgar Deus, João, mas de perceber que, ao longo da história ocidental, a noção de Deus jamais foi idêntica a si mesma. Houve e há intermináveis debates sobre Deus Pai (Velho Testamento) e Deus Filho (Novo Testamento). Não existia, por exemplo, a noção de Santíssima Trindade, João, até o Concílio de Nicéia, tutorado pelo imperador Constantino - o prenúncio da figura papal -, decidir que a união de Pai, Filho e Espírito Santo não implicava o politeísmo, pois se tratava de uma única essência trinitária. Veja: entre outros aspectos, tratava-se de uma disputa político-teológica contra o paganismo e suas muitas divindades, João.

    Você é pai do seu filho, mas seu filho não coincide com você mesmo. Se, racionalmente, aceitamos tais identidades distintas, por que é que deveríamos aceitar tal paradoxo teológico?

    Estou acabando de ler um livro panorâmico que procura retratar "Uma história de Deus" (Karen Armstrong). Estou certo de que iria lhe interessar, João.

    ResponderExcluir
  11. PARTE II

    De fato, a concepção racionalista sobre Deus via de regra caminhou ao lado de posições mais místicas e subjetivistas. No entanto, considerando a racionalidade que estrutura a sociedade atual, poderíamos conceber um Deus global que não dialogasse criticamente com a ciência e o pensamento material?

    Precisamente por esse aspecto, João, Deus se torna o mandatário de uma esfera restrita. A religião ocupa tempo e lugar cada vez mais exíguos na vida das pessoas, mesmo quando se trata de seus adeptos praticantes. Não é a lógica divina que rege a vida de todos e cada um de nós, João.

    Pensemos: se tentarmos oferecer a outra face inequivocamente, provavelmente não sobreviveremos mais do que um dia em nossa sociedade.

    Veja: primeiro me aproximei de problemas científicos para a compreensão de e a crença em Deus. Agora falo de feridas éticas praticamente não cicatrizáveis.

    Se Deus é efetivamente onipotente, João, onde estava o Senhor quando da barbárie da escravidão negra? Onde estava Deus em meio à eugenia industrial de Auschwitz?

    Podemos falar no livre arbítrio, sim - a possibilidade de responsabilidade perante os atos funda o sujeito ético. Muito bem: mas os termos que se podem escolher - bem e mal - são atributos que derivam de onde? Por que isolar Deus da maldade do mundo? Mundo que, lembremos, Ele próprio criou.

    ResponderExcluir
  12. PARTE III

    Na semana que vem, trarei um ensaio que dará continuidade à nossa discussão. Mas já posso adiantar que vejo problemas profundos e contraditórios na relação onipotência e omissão de Deus ao longo da história.

    É curioso que, após dizimar suas crias pelo dilúvio, no Egito, na Babilônia, em Sodoma e em Gomorra, Deus tenha saído de cena. Deus deixou de se tornar um ente histórico, João.

    Não lhe parece contraditória a máxima do amor de Cristo ao lado da animosidade do Deus Pai?

    Aliás, não lhe parece contraditório que, por um lado, Cristo pretenda oferecer a outra face e que, por outro, diga que não veio trazer a paz, mas a guerra, que não veio trazer o afago, mas a espada, e que os inimigos do homem estarão em sua própria família?

    A discussão sempre me instiga, João, mas creio que ficaremos desdobrando as interpretações bíblicas à exaustão, se não pensarmos sobre os diferentes posicionamentos que estamos tomando.

    Você se aproxima de uma tradição cristã que pressupõe o mistério e a incognoscibilidade de Deus.

    Estou tentando argumentar que tal tradição não consegue mais dar respostas globais à nossa sociedade para além dos muros restritos de suas igrejas.

    Você gosta do cineasta sueco Ingmar Bergman, João? Indicaria a você o seguinte filme: "Luz de Inverno". Dei um curso esse ano discutindo a crise moderna de Deus a partir da comparação deste filme com trechos da obra do escritor russo Fiódor Dostoiévski. (Aqui está o link do texto que escrevi a respeito: http://subsolodasmemorias.blogspot.com/2011/02/dostoievski-e-bergman-morte-e-exumacao.html)

    Dê uma lida e me diga o que você acha da seguinte questão: a concepção irracionalista e misteriosa sobre Deus pode ter sobrevida para além das comunidades particulares de fiéis? (Eu me faria a seguinte pergunta: e quanto à concepção racionalista, teria ela poderio empírico e ético para discutir com a ciência e a filosofia?)

    Grande abraço, João,

    Flávio Ricardo

    ResponderExcluir
  13. João Américo Simãosexta-feira, 07 outubro, 2011

    Tudo bem, Flávio?

    Amigo, gostaria que voce me respondesse:

    Sei que já ouviu falar do diabo (Satanás), mas ainda não falaste o nome dele e os feitos. Por quê?

    Será que nas tuas leituras bíblicas só passou Deus, e não Satanás?

    Você acredita em que em termos espirituais, você vai a alguma igreja ou frequenta um outro culto?

    Vou ler o que você me mandou, agora vou fazer o link.
    Boa noite,

    João

    ResponderExcluir
  14. Olá, João!

    O diabo e/ou Satanás, em minha concepção, não passam de metáforas fortes para a existência inexplicável do mal no mundo quando partimos de uma concepção de um Deus não apenas onisciente, mas também onipotente.

    A meu ver, a experiência de Deus atualmente não pode deixar de considerar o holocausto nazista, João.

    Onde estava Deus?

    Você pode falar do livre arbítrio, sim, mas ali não se tratou de apenas um assassinato, João. (Se bem que a grande personagem de Dostoiévski, Ivan Karamázov, já dissera que a existência de Deus não poderia admitir sequer o assassinato de uma única criança.) Tratou-se de uma matança industrial, João, matança racionalmente ordenada. Judeus, russos, poloneses, ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová. Todos incinerados em fornos crematórios.

    Amanhã devo postar um novo texto com essa discussão teológica.

    Você me perguntou se eu sigo alguma religião, não é mesmo?

    Não, João, não sigo religião alguma. Na verdade, a história nos pode mostrar que as religiões, em grande medida, subverteram os desígnios belíssimos de seus profetas. Desígnios muitas vezes contraditórios, mas, sobretudo, belíssimos.

    Vejo figuras interessantíssimas e ecumênicas em todos os credos, João.

    Moisés, Jó, Jeremias, Sócrates, Platão, Jesus, João, Paulo, Maomé, Buda, Krishna, Allan Kardec. Todos me obsedam.

    A perspectiva pela qual procuro entrever a sobrevivência de Deus é sobretudo ética, João. Não gosto da concepção de um Deus vingativo e contraditório que, em sua onipotência, nos delega o livre arbítrio apenas para se eximir da responsabilidade em face de seus dilúvios e chacinas. Me interessa sobremaneira uma concepção divina que não estabeleça uma clivagem ontológica entre Deus e a sociedade. No entanto, quando trazemos Deus novamente para a história, os horrores de Auschwitz e Hiroshima ainda uma vez despontam.

    Há quem diga que Deus foi expulso da história após Auschwitz.

    Difícil refutar tal colocação.

    Eu tenho uma espiritualidade bastante curiosa e sequiosa, João, mas também tenho muita dificuldade com as construções em relação a Deus. (Discutirei isso na próxima mensagem do blog.)

    Um abraço, meu amigo,

    Flávio Ricardo

    ResponderExcluir
  15. O problema não está na crença da existência ou não de Deus, pois se existimos é porque algo nos criou. O problema está na natureza do criador. O Universo é infinito, portanto, nada pode criar o Infinito, uma vez que nada pode ser maior que ele. Então só nos resta uma alternativa: O próprio Universo é o criador. Mas como o Universo seria o próprio criador? Sabemos que tudo no Universo é regido por uma linguagem matemática. Hoje, os cientistas já sabem queo universo todo é permeado por uma energia. Eles a chamam de Energia Escura, porque não a vêem. Ora, uma Energia infinita e regida por uma linguagem matemática é uma Energia Inteligente. Logo, o próprio Universo é um campo infinito de energia inteligente, mas não Consciente, pois não faz sentido a existência de um ser que não conhece sua própria dimensão, já que é infinito (pelo menos, segundo Huberto Rohden esta forma de consciência que conhecemos). Esta teoria se encaixa na filosofia taoista que diz: Tao (o Universo Imanifesto, Deus) gera Ki (uma energia secundária já pertencente ao universo relativo), pois se divide em Yang e Yin e gera tudo que existe. É daí, talvez, que surgiu a frase “Deus criou o universo” traduzindo como Tao (o Universo Infinito) criou Ki (o universo relativo), somente assim ela faz sentido. Para quem quer se aprofundar neste assunto escrevi o livro O MITO DO DEUS PAI publicado pela EDITORA BIBLIOTECA 24X7 e que pode ser adquirido diretamente no SITE DA EDITORA ou na LIVRARIA CULTURA. Ele discute o Universo Inteligente, senhor de sua própria criação. Entretanto, este não é um livro materialista, pois mostra que somos quantidades ínfimas de energia gerada pela vibração da Inteligência Infinita até adquirimos consciência através das sucessivas reencarnações em corpos materiais até evoluirmos para Seres Superiores (Espíritos de Luz).
    Infelizmente, este é um assunto sobre o qual as pessoas se recusam a falar e até a pensar. Elas têm medo, horror mesmo do desconhecido e isso leva ao comodismo de aceitar as explicações burlescas dos religiosos inclusive de que quando se sofre é por que o deus pai gosta muito de nós e está nos pondo a prova para ver nossa o grau de nossa fé. Esta é a desculpa que os religiosos têm par justificar a miséria humana. Como psicanalista posso assegurar que esta é uma atitude de transferência dos nossos pais biológicos que nos protege quando criança para um pai mais poderoso que nos protegerá quando adultos. Recebi um E-mail que trazia uma lenda cherokee da iniciação de um jovem ao estado adulto. Nela ele ficava de olhos vendados a noite toda a mercê de toda sorte de perigos, mas ao acordar e tirar a venda dos olhos viu que seu pai estava ao lado dele o tempo todo. Comparava a mensagem a Deus nos protegendo. Respondi então: Se Deus está ao nosso lado, por que então ele não protege seus "filhos" como o pai do índio e evita tanta desgraça, tanto assassinato no meio do mundo. Pedro Cabral Cavalcanti – pcabralcavalcanti@gmail.com

    ResponderExcluir