Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

sábado, 29 de outubro de 2011

Quadros Parisienses I

Meus amigos,

Após percorrermos os labirintos do Palácio de Versalhes (eis o link: http://subsolodasmemorias.blogspot.com/2011/09/palacio-de-versalhes.html), convido a todos para iniciarmos nossa caminhada pelas alamedas históricas de Paris.

Nos próximos meses, o Subsolo das Memórias percorrerá as antecâmaras da capital francesa até que os escombros fotográficos nos façam vislumbrar os diversos


Quadros Parisienses I


O percurso parisiense do Subsolo das Memórias
só foi possível graças ao patrocínio providencial de KY


A onisciente indústria cultural pede a Deus que aguarde
para publicar os escritores de Sua predileção


"Senhores passageiros, máscaras de oxigenação logo estarão ao alcance de seu desespero"


Porque os mecenas via de regra envergaram coturnos


Será que o modernista Maiakóvski pensava na Torre quando postulou
os pescoços delgados como a conquista social por excelência?
(Talvez ele já sentisse o prenúncio da asfixia stalinista...)


Sentinelas do Rei Midas


A encarnação das sombras


Dedo em riste para o céu


Liberdade aprisionada


Guardiões


Onipresença


Os Quadros Parisienses ainda realizarão o desejo da estátua - iremos à Torre!


Nossa convidada


Atesto para os devidos que não estava ventando


"Cê já tá ajoelhada, meu bem, que que custa? Só um pouquinho, vai arder menos depois..."


Paris (supostamente) ecumênica


As sombras da Cidade Luz
(Homenagem a François Kabebe e a seus dois filhos franceses)


Mas onde está a professora Helena?
O fato é que os franceses não gostam nada do Cirilo...


Solidão contígua


Perguntemos a Marcel Duchamp se esta foto poderia constituir
uma paleta ou um ready-made para seus discípulos


Os parisienses não se conformam com a audácia de Roma:
ora, todos os caminhos só podem levar a Paris


Cromatismo


Infantaria


Alexandre, o Grande, e o bisneto de Bucéfalo


Where the rainbow ends


Subsolo...


... das Memórias


"Que rei sou eu?"



Ninguém mais, todos menos que:


O Espírito do Tempo já foi bem outro, meus amigos:
RELIGIÃO DA HUMANIDADE
"O amor por princípio e a ordem por base; o progresso como fim"


Antes de mais nada, relembremos as palavras de Cristo:
"Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, fora de mim não há Verdade"
Teria Jesus legado sua sacrossanta humildade aos franceses?
"Há um pacto vinte vezes secular entre a grandeza da França
e a liberdade do mundo". Que nos digam as ex-colônias africanas, não?


As Ilusões Perdidas...


... ao longo da ...


... Comédia Humana


Voltaremos a encontrar você quando os Quadros Parisienses visitarem o Louvre, meu caro


Um espectro ronda o Brasil, o espectro do Espiritismo


NASCER, MORRER, RENASCER NOVAMENTE
E PROGREDIR INCESSANTEMENTE - EIS A LEI
(Os juristas mundanos não deixariam de encontrar brechas na norma, não é mesmo?)



A lei de progressão universal me faria estagnar se pudesse julgar o nó do cachecol


O prenúncio de Mallarmé e seu lance de dados


O tempo... perdido


A perda... do tempo


Oscar


Wilde


Estejam certos de que Wilde seria o primeiro a desrespeitar poeticamente o próprio túmulo


"De pé, ó vítimas da fome; de pé, famélicos da terra"



De pé?
AOS MORTOS DA COMUNA
21 - 28 de Maio de 1871


Você se arrepende de algo, Édith?


"Non, je ne regrette rien!"


Acaso um amigo de Pablito Picasso


Ao fim e ao cabo, a cigarra tinha razão sobre a formiga, La Fontaine!


Uma semana após ter visto "O Avarento", fiquei sabendo que o Paulo Autran faleceu...


Meus amigos, aguardem: voltaremos a auscultar Chopin pelas ruas de Cracóvia!


Enquanto eu mantive a pronúncia alemã do nome do arquiteto de Napoleão - HAUSMANN, vale dizer, "Rausmann" -, nenhum francês me pôde dizer onde ficava o túmulo. Após galicizar o arquiteto de Sua Majestade - "Ôsmãn" -, cheguei ao arquiteto da contra-revolução, o inimigo número 1 das barricadas


Guardiões emudecidos


A Idade Média e os ombros premidos


Trincheira


Onde estão as gárgulas?


Às cruzadas!


O reverso do sorriso


Minha nunca se ajoelha


Infantaria


Logo vocês acompanharão o meu olhar...


Cadê o corcunda, Victor Hugo?


Onde está Judas?


O sétimo, da esquerda para a direita


Qual o problema de uma mãe assistir à crucificação do próprio filho, não é mesmo?


Ei-la!


Fotofobia


Vamos até o altar?


Se Deus conhecesse a história humana, receio que o 1º Mandamento seria reeditado:
"Atesto para os devidos fins que não quero mais minha onisciência"
("Quanto à onipotência, veremos o que fazer após o recesso parlamentar")


O padre disserta sobre a humildade, e eu não entendo por que os franceses
se dispersam e/ou abandonam a missa


Where the rainbow ends


Notredame ganha a licitação da Sabesp para o fornecimento de água benta


Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos Céus?


"Possa meu sangue ser o último verso!"
(Algo piegas o martírio após a piedade da Santa Inquisição, não?)
Alinhar ao centro

Where the rainbow - and its dogma - begins


Franceses, não se preocupem:
os últimos jamais serão os primeiros


Epicentro


Nazareno, Notredame ainda aguarda sua visita


Ei-las, as gárgulas!


Imaginem o seguinte: um fanfarrão medieval, encharcado de vinho, caminha junto à catedral lá pelas 5 da madrugada. De repente, o figura dá uma trançada ébria, bate a jaca na parede de Notredame e, ao olhar para cima, se depara com a vigília da gárgula... (Se vocês fecharem os olhos, creio que ouvirão o medo corporificado pelo grito de desespero)


Minha nunca se ajoelha


Infantaria medieval


Módicos 15 euros por um café
(Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino da Terra)


Eis o ébrio medieval de que falei mais acima - a gárgula por testemunha


Não, eu não tinha bebido muito, não


Seria Deus uma viúva negra?


Sentinela


4 costados


Eriçada


Ladeando


Olha o corcunda ali, gente!


Ali, ali, na terceira janela à esquerda


Dedo em riste para o céu


Vamos?


"Papai, papai, que que quer dizer aquele 'N' ali?"


Subsolo das Memórias


50.000 euros/mês


Os Quadros Parisienses ainda encontrarão o mestre Vincent V. G. lá dentro, aguardem!


Mas, caramba, a torre e o passarinho tão em todos os lugares!


Haras do Rei Midas


Às custas dos camponeses famélicos, presente do Tsar Russo aos parisienses


Invalides!


55.000 euros/mês


São Petersburgo em Paris


Agora, sim: olha lá o corcunda subindo a escada


Foi aqui que eu peguei o barquinho


4 costados


Se pensarmos que a corte francesa já morou aqui e se soubermos que J.P. Morgan hoje arrenda o palacete, entenderemos o porquê de os franceses ficarem melancólicos...


Sagrado Coração


Quase igual à vista de São Paulo


Não é mesmo?


Vejam só a Av. Paulista mais ao fundo


A crescente austeridade da arquitetura religiosa
é um indício do irresistível desencantamento do mundo


Paradoxo pétreo: o mistério e a estátua


Céu da boca


A gárgula se despede


O Filho-Pai reclama a presença de Marie Madeleine


Cristão...


... ou pagão?


Laico


Vamos tomar umas naquela taverna do século XIII, Montaigne?


Montaigne e Paris:
"Paris tem o coração da minha infância.
Não sou francês senão por essa grande cidade.
Grande sobretudo e incomparável em variedade.
A glória da França é um dos mais nobres ornamentos do mundo".
(Nem mesmo Montaigne estava imune ao Canto de Circe)


Onde estão Voltaire e Rousseau, meu caro Panteão?


A Igreja abençoa Robespierre


Voltaire é o quinto à direita; Rousseau, o primeiro à esquerda da cruz


O sincretismo como atavismo
A cruz dórica
(As Luzes não projetam sombras?)


O Subsolo das Memórias ainda percorrerá os escombros inexistentes da Bastilha


Invalides!


Vamos?


Rumo ao sarcófago de Napoleão


Não sem antes arregimentar o dízimo


Cristo Morto, Hans Holbein e o flash


Cristo Morto e Hans Holbein


Pergunta: Que sentiu o cristão Dostoiévski ao ver o Cristo assim humanizado após a crucificação?


Resposta: Teve um ataque epiléptico e depois utilizou tal anátema no romance "O Idiota"


Se vocês fecharem os olhos, estou certo de que ouvirão o ressoar desse órgão


Napoleão ordenaria menos?


Faraó Napoleão I


A Ironia histórica nos pede para acompanhar o trajeto libertário das Luzes através do corredor polonês que conduziu a fraternidade ao imperialismo de Napoleão

7 comentários:

  1. Oi Flavio!!!

    Tudo bem???Espero que sim!
    Você esta na frança?Viajando de novo?hihihihi
    Que legal!!!Você é um grande andarilho!

    Beijos
    Suenia

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  2. Oi, Su!

    Pois é, percorramos a Europa conjuntamente :-) Aguarde as próximas paradas!

    (Meta para o ano que vem: Jerusalém.)

    Um beijo,

    Flá

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  3. Jean Carlo Faustinodomingo, 30 outubro, 2011

    Flavio,

    o cristo deposto de Holbein está no hotel dos invalidos?

    Abraço

    Jean

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  4. Olá, Jean, tudo bom?

    Se bem me lembro, Dostoiévski viu o quadro de Holbein na Alemanha, mais precisamente em Baden-Baden. Como você sabe, a exasperação foi tamanha que o escritor chegou a ter um ataque epiléptico ao vislumbrar a possibilidade de o (suposto) Deus-Filho ter se submetido às leis da natureza.

    No Invalides há uma réplica do Cristo de Holbein, sim - aquela que fotografei.

    Um abraço, Jean,

    Flávio Ricardo

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  5. Oi Flávio, tudo bem?

    Uma dezena de vezes estive em lugares focalizados no seu magnífico "Quadros Parisienses I". Vejo, agora, que muitos detalhes significativos
    me têm passado desapercebidos; talvez, pelo arrebatado prazer que a monumentalidade do conjunto me proporciona. A beleza das suas fotos,
    e suas apropriadas legendas, despertam-me para filigranas que seu talento de artista e professor me trazem à observação. Muito obrigado por
    partilhar comigo suas impressões, sempre bem-vindas. Parabéns!

    Grande abraço,

    Reinaldo

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  6. Olá, Reinaldo!

    Meu amigo, você é o mais assíduo paradoxalista que o Subsolo das Memórias tem a honra de abrigar :-)

    Pois é, a aura de Paris nos alcança bem antes de lá termos pousado. O Borges certa vez comparou a discrição de Genebra à suntuosidade de Paris, "a cidade-luz que jamais se esquece de si mesma. Paris bem sabe que é Paris".

    Dentre todas as capitais que tive a boa sorte de conhecer, certamente Paris é a mais monumental e a mais tensa em termos históricos - Roma seria um adversário à altura, não fosse a datação da história contemporânea a partir da Revolução Francesa.

    Viajar, como você também sabe, meu caro Reinaldo, é parte quintessencial da nossa formação. Daí essa palavra belíssima - própria ao ourives cuidadoso - que você bem utilizou: as "filigranas". Dois dos pensadores que mais admiro estabeleceram sua arquitetura intelectual a partir do fragmento que, em seu caráter estilhaçado, poderia refratar a fratura da totalidade social: é assim que Theodor Adorno, em uma ida ao zoológico, desvela o neocolonialismo e a alteridade mutilada a partir dos países de origem dos respectivos animais exóticos; é assim que Walter Benjamin tende a desmascarar a personalidade autoritária ao ver o businessman bem alinhado e bem adaptado bater com força a porta do carro blindado às 9h59 da segunda-feira.

    Descobrir que a busca pela mediação entre a parte e o todo é apreendida pelos leitores só pode estimular este estoriador a continuar escavando as muitas câmaras do subsolo de nossas memórias.

    Grande abraço, Reinaldo,

    Flávio Ricardo

    P.S.: Dia 26 de novembro - será um sábado -, ministrarei uma palestra sobre as possíveis relações entre a poética de Edgar Allan Poe e o filme "Cisne Negro". Quem sabe você não poderia vir a São Paulo para enfim nos conhecermos pessoalmente, Reinaldo? (Daqui a uma semana o Subsolo das Memórias divulgará a ocasião.)

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  7. Comentando um post do Rafael Daud li seu comentário, caí no seu blog e achei um blogueiro com posts maiores que os meus - que alegria. Gostei das partes dos posts que li.

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