Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

London Calling

Meus amigos,

Que tal percorrermos a city que (1) aceitou hospedar - e monitorar - o imberbe Karl Marx durante suas últimas décadas de vida e que (2), recentemente, ratificou um convênio ecumênico envolvendo a Scotland Yard, o FBI, o Mossad, a KGB e a Gestapo para a otimização das modernas técnicas de interrogatório?

Pergunta: Quem foi o voluntário expiatório para os testes das modernas técnicas de interrogatório após a ratificação do convênio ecumênico envolvendo a Gestapo, a KGB, o Mossad, o FBI e a Scotland Yard?

Resposta: Jean Charles de Menezes.

Que as fotografias possam se esgueirar pela city rasgada pelo rio Tâmisa para que o subsolo inglês venha à tona.

Vamos para Londres.

London Calling


No metrô londrino: Ser ou não ser? Eis a questão (que já não se coloca)
("Hoje parece vigorar o ou - ou, mas como se o pior já houvesse sido escolhido")


Karl Marx caminhava à beira do Tâmisa


Se bem me lembro, este quadro muito me chamou a atenção porque o pintor teria retratado a angústia do magistrado ao ter que tomar decisões que coagiriam as pessoas a mudarem completamente suas vidas. Quando hoje revejo este quadro e penso sobre a nossa época, fico pensando sobre como poderia ser a reedição do quadro? Como lê-lo?
A Visa parece querer patrocinar o projeto, "porque a vida é agora"


"Papai, papai, eu também consigo pintar um quadro como o Picasso, mamãe!"


Se o pênis pudesse expressar sua indignação em face da camisinha, creio que esta fotografia faria as vezes de testamento


Vamos?


Quando Edgar Allan Poe decidir reencanar, estou certo de que esta será a casa de sua predileção


Picasso convida os freqüentadores contumazes da ANTIGA Rua Augusta para nos deslocarmos até Avignon


Após exaustivos debates que fizeram a ode ao lema LSD (Louvado seja Deus), os artistas acima elencados chegam a um consenso sobre a nova cartilha para o MOBRAL - Movimento Brasileiro de Alfabetização. Aula 1: Prefácio à "Crítica da Razão Pura", de Emanuel Kant; aula 2: "A dialética do senhor e do escravo", presente na "Fenomenologia do Espírito", de Jorge Guilherme Frederico Hegel; aula 3: capítulo 1, "A mercadoria", presente no primeiro volume de "O Capital", de Carlos Marques


Estilhaços


Porque o desejo é sinuoso


Porque a arte é tátil (ao menos quando a imaginação nos pode intumescer)


A fotografia torna a História sincrônica


Não, meus amigos, não tentemos reeditar o Mar Vermelho: a história só se repete como farsa


Shakespeare diria: ser e permanecer, eis a minha resposta


O misógino São Paulo não merecia tamanha homenagem


A fotografia torna a História sincrônica


E se tal moda priápica chegar a São Paulo?


Henrique VIII diz a Deus: se você pôde inundar todos os seus filhos, por que eu não posso fundar minha igreja? Assim seja.


Assim seria o cartaz medieval do "Encouraçado Potemkim"


A César o que é de César...


... a Deus o que é de Deus


Orgias palacianas


Quando formos a Versalhes, veremos que os franceses têm razão em considerarem os ingleses (1) austeros e (2) frígidos


A fotografia torna a História sincrônica


Vamos?


Memórias do Subsolo


Subsolo das Memórias


De fato, nós evoluímos: antes haveria aqui um archote trêmulo, hoje o contribuinte paga pela luz de sódio sempiterna


Sempre desconfiei de que as alturas de Deus precisassem do abraço das muralhas


Vamos?


Vamos


De fato, nós evoluímos: hoje, a austeridade dos gastos públicos veta a suntuosidade arquitetônica
Afinal de contas, por que haveríamos de querer o belo, não é mesmo?


Alegria justaposta


O reverso do sorriso


Atesto para os devidos fins que a porta estava trancada


Homenagem do Museu da Segunda Guerra ao herói Jean Charles de Menezes, assassinado covardemente por membros da Gestapo inglesa


ABC do Dia D


A fotografia torna sincrônica a tragédia
"D-Day tomorrow. Everybody quite excited"


I want YOU for U.S. Army


A rainha irá se alistar? E quanto ao rei que se esgueira sob a coroa?


Algo de novo no front


Há rumores de que Leni Riefenstahl tenciona filmar a versão nazista do
"Encouraçado Potemkim"


A História tem lá a sua astúcia, ainda que a Justiça esteja de olhos vendados


E não é que os ingleses ainda conseguem rir em meio à Blitzkrieg!


E ainda há espaço para a rima


Self made man em tempos de guerra


STÁLIN: Camarada Churchill, é um mero detalhe o fato de o senhor propor a Roosevelt que as tropas anglo-saxãs só devem parar sua marcha sobre Moscou, claro.
Que seria de nossa amizade sem Hitler, não é mesmo?


Metástase


Máscara mortuária do Duce, também conhecido como Benito Mussolini


A História tem lá sua astúcia, ainda que a Justiça tenha os olhos vendados


Se queres paz, prepara-te para a guerra


119 mil japoneses pulverizados num átimo quando este torpedinho beijar o chão de Hiroshima


Um dos mentores de Fiódor Dostoiévski


A imaginação sempre o perseguiu, Dickens


Charles


Dickens


Imaginário tátil


Vamos?


Espólio de guerra


De Atenas para Londres (No hard feelings, gentlemen, please, we'll give it back to you as soon as you show us the slightest possibility of taking care of your own History, ok?)


Os primórdios da eugenia


"Se ao menos eu pudesse flertar com as milhares de beldades que diariamente me tocam..."


Baco convida


Dionísio é o anfitrião


Centauro, meu caro, por que é que você trouxe tua esposa pra minha festa, me diga?


Sempre admirei Sócrates, sobretudo quando ele duvidava de si mesmo
Afirmo ser aquele que tudo nega


Escalada a nova seleção brasileira:
Sócrates (Corinthians), Heródoto (Santos), Parmênides (São Paulo) e Péricles (Palmeiras);
este estoriador do subsolo (Corinthians) e os cariocas Felipe e Stoyan (Botafogo);
Vitinho (São Paulo) e Teixeirinha (Portuguesa)


A corrida deveria ser mais barata, shouldn't it, gentlemen?


A abóbada e o dedo em riste para o céu


Sempre há um sétimo dia sob o sol


Penumbra


God save the Queen:
"A César o que é de César, e a mim o que é de Deus"

8 comentários:

  1. Cynthia Yosimotodomingo, 28 agosto, 2011

    Oi Flávio, tudo bem?

    Estava olhando o blog e gostaria de saber de qual campo de concentração é a foto que você colocou no cabeçalho, você poderia me informar?

    Um abraço,

    Cynthia

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  2. Olá, Cynthia! Tudo bem comigo, e com você?

    A foto que fica no cabeçalho do Subsolo das Memórias é da entrada de Auschwitz. Estive lá durante o ano em que morei na Rússia.

    Auschwitz fica a 1h30 de Cracóvia, de trem. Daí você desce da estação e anda uns 2 km até o primeiro campo. O segundo campo, Auschwitz - Birkenau, fica a uns 3 km do inicial - este último campo é aquele dentro dos quais os trens desambarcavam.

    ARBEIT MACHT FREI, o trabalho liberta.

    É trágico perceber que a ironia é uma mestra volúvel que pode se prestar aos mais bárbaros ordenamentos, né?

    Ah, neste link há mais fotos de Auschwitz: http://subsolodasmemorias.blogspot.com/2009/09/holoclaustro.html

    Um abraço,

    Flávio Ricardo

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  3. Oi Flávio! Tudo ótimo comigo também!

    Obrigada pelas informações. Pesquiso sobre o filme Olga e nele há uma reconstrução dessa portaria. Penso que deve ser a mesma que mostra no Noite e Neblina do Resnais, mas o ângulo em que foi tirada a foto que está no cabeçalho do Subsolo das Memórias é exatamente o mesmo do filme, por isso quis confirmar.

    Muitíssimo obrigada pelas informações e pela indicação das outras fotos.

    Um abraço,

    Cynthia

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  4. Grande Flávio!
    Se a fotografia é um recorte do mundo, tuas escarificações nos convida ma conhecer as carnes, o sangue, e o espírito - parafraseando Bronislaw Malinowski - desta Velha parte do mundo que tanto conhecemos inconscientemente aqui nestas terras onde cantam os sabiás.
    Grato por nos ciceronear tão bem pelas catacumbas dos tribunais kantianos de nossa Razão!
    Parabéns!

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  5. 2ª natureza, fetiche da mercadoria... sempre achei muito estranho Marx escrever "O Capital" em vez de "O Social". Tanto quanto o slogan do Sarna-ey "tudo pelo social". Entendi a linguagem marketeira invertida do Sarna-ey.
    [Aliás, vale mencionar o excelente artigo do Nelson Motta publicado no Estadão. Aliás, de novo, o NM sempre foi arguto, mas como colunista tem se superado! Ao contrário do abstrato Arnaldo "FHC-o-príncipe-que-virou-Sapo" Jabor]
    Marx num poderia ser representado por imagens clássicas de Rembrandt, Rafael, da Vinci. Picasso abstrato é a cara de Marx!? Nomear a sociedade humana como 2ª natureza, comparável ao diferentiche de Picasso, perverte a capacidade de interação(?) harmônica(?) do cêrumano. Como Wagner perverte Beethoven...
    Nomear mercadoria como fetiche revela a farsa, explica o título "O Capital". Tarado. Britânico. Abstrategista.
    Abstrações do mercado derivativo, são a cara cuspida&escarrada do kapital Marxista. Taras utilitaristas. Matam.

    Alexander Kluge, Marx, Joyce e Eisenstein: "A abstração mata": http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3955627,00.html

    Títeres Teachers.
    A derradeira busto-de-bronze homenagem à Marx tá em Londres. Lá jaz. Na Capital do Kapital "Liberal&Colonial". A-quem-da-mais-valia.

    Godot num vai - e você?

    Ah... http://psicotramas.wordpress.com/2010/09/27/karl/

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  6. Olá, caro Hamlet!

    Há duas semanas, assisti ao belíssimo documentário do Kluge. Também devo dizer que estou sempre acompanhando suas Psicotramas - muito interessantes, por sinal. (Não me esqueci do imbróglio sobre o amor, dentro em breve ele estará no Subsolo, eu prometo ;-)

    Quanto ao Marx, eita!, a discussão seria longa. O fetiche tende a ser um dos núcleos de sobrevivência da teoria do Marx para além do conteúdo redentor da luta de classes. (Aqui no Subsolo das Memórias, há um link para textos de Robert Kurz, um teórico que tenta ler Marx para além do conteúdo classista - i.e., sociológico - de sua teoria.)

    Como o fetiche da mercadoria drena a riqueza da sociedade, vale dizer, dos seres humanos em sociedade, para que a valorização do valor - o Capital - possa se produzir e se reproduzir, a segunda natureza, na verdade, torna-se fundante até mesmo para a primeira. (Quando eu estudava Direito - Deus que me perdoe! -, cheguei a questionar a professora de Civil sobre os direitos consolidados do nascituro. Ué, professora, mas e se se tratar do filho de uma moradora de rua? Onde estariam os direitos do nascituro neste caso?)

    O Capital é considerado por Marx um sujeito automático, um ente que, quando diz "eu", submete os demais sujeitos a súditos. (Não deixa de ser interessante que "sujet", em francês, signifique ao mesmo tempo "sujeito" e "súdito".)

    O documentário do Kluge é muito interessante, Hamlet, e muito se discute sobre o porquê de Marx ter escrito "O Capital" pelo prisma da mercadoria. (Há uma tradição na fortuna crítica de Marx em cindir duas fases na vida do pensador: o jovem Marx, o sonhador do "Manifesto Comunista", e o velho Marx, o "cientista" que quer apreender o capitalismo.) A questão da práxis sempre foi intrincada nesse sentido, porque d'O Capital não desponta uma resposta para a pergunta de Lênin: "Que fazer?" Daí chegamos a um fator interessante: a sociedade do fetiche permite que o pensamento crítico a observe e a disseque, desde que a divisão do trabalho do setor esteja suficientemente desenvolvida para gerar dividendos com a indústria de esquerda. Quanto à transformação da sociedade, a pujança crítica se arrefece, e é impressionante como um ótimo pensador como Robert Kurz se torna reticente sobre as possibilidades positivas.

    Se você não assistiu ao documentário, Hamlet, diria que as entrevistas de Hans Magnus Enzensberger e Dietmar Dath são os pontos altos. Muito se discute sobre as origens clássicas de Marx. (Discussões de altíssimo nível, devo dizer.)

    Um abraço,

    Flávio Ricardo

    P.S.: Seria talvez interessante pensarmos em Vladimir e Estragon como o vestígio do proletariado a esperar GODot.

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  7. - PIB mundial (bens tangíveis, economia física) 2010 = aprox. USD 60 trilhões
    - Ativos financeiros derivativos (sem lastro físico) 2010 = aprox. USD 1 quatrilhão

    Num se faz omelete sem quebrar bancos, hã!?

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  8. Eis que temos um ponto interessante: toda a teoria do valor-trabalho se baseia justamente no fato de que a segunda riqueza por você apontada - na ordem de 1 quatrilhão - teve ter seu lastro na riqueza real produzida por trabalho humano vivo, daí o PIB.

    Cada vez mais, o capital prescinde do trabalho humano para continuar a se reproduzir. Daí a financeirização precisa adiantar a produção futura e seus dividendos para continuar a se reproduzir. A questão - que já se viu em 1929, mas ali ainda com a possibilidade de expansão que absorvesse mão-de-obra - é que não se pode contar nem com (1) uma suposta produção futura e nem com (2) uma suposta absorção da produção por consumidores futuros. O (John Maynard) Keynes tinha uma frase fabulosa nesse sentido: "no futuro, estaremos todos mortos".

    A leitura que estou fazendo deve muito ao Robert Kurz, de quem te falei no outro email. Se os bancos quebrarem - vale dizer, se o sistema financeiro mundial for coerente com sua própria incoerência de criar bolhas de valor sem qualquer lastro até que não possa se valer mais criando um dominó contínuo de inadimplência -, seria justamente a primeira fissura que levaria ao colapso.

    O meu ponto seria outro, Hamlet - e pergunto isso menos como alguém que quer uma humanidade outra e mais como um escritor que tende a "duvidar de tudo" - essa foi a resposta que Marx dera à própria filha quando a pequena perguntara ao pai qual poderia ser sua máxima. Será que a humanidade está pronta para o além-capitalismo? Veja, não estou dizendo que não gostaria de ver isso - e como gostaria! O capitalismo solapou as diferenças supostamente naturais que vigoravam no feudalismo. Claro que ainda há distinções - se é que algum dia eles podem ser abolidas de todo -, mas o capitalismo torna o status social muito mais dinâmico. Todos somos passíveis de sermos explorados, daí uma potencial igualdade a contrapelo. A igualdade de sermos espoliados, de sermos pau-pra-toda-obra para que o capital, e não a humanidade, possa seguir se reproduzindo.

    Será que a humanidade está pronta para tomar em suas próprias mãos o destino da riqueza que está em si mesma, em sua força produtiva e criativa e não nos bens que produz? Quais seriam as conseqüências éticas se o poder social pertencesse de fato ao todo e não apenas a uma parte? (Creio que Dostoiévski faria essa pergunta atualmente.)

    Postular tais questões chega a ser cínico para além de irônico, porque a sensação das pessoas fragmentadas e coagidas a viverem em sociedade é a de que as decisões simplesmente lhes escapam. (E escapam também aos almirantes do encouraçado histórico.)

    Que é que a nossa época tem a nos dizer? Que é que poderemos fazer?

    Essas são perguntas que me obsedam diariamente.

    Hamlet, meu velho, "o amor de Lacan" virá à tona no próximo fim de semana, as psicotramas percorrerão as galerias do subsolo.

    Por sinal - e em tempo: gostaria de conhecê-lo, Hamlet. Creio que temos muito que conversar. Que tal tomarmos umas?

    Um abraço,

    Flávio Ricardo

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