Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

sábado, 14 de maio de 2011

Nós que aqui estamos por vós esperamos


Meus amigos,

Eric Hobsbawm considerou breve o contraditório século XX.

Século em que o Iluminismo municiou o triunfo da vontade do Gengis Khan moderno – Adolf Schicklgruber, também conhecido como Adolf Hitler.

Século em que o socialismo – ou por outra, o capitalismo de Estado – foi o espectro que pairou sobre a Europa – a América Latina, a África e a Ásia –, de modo que os donos do poder perderam alguns dedos para continuarem a envergar os belíssimos anéis. (Brevíssima história do Welfare State, o Estado de Bem-Estar Social.)

Século em que o socialismo – ou por outra, o capitalismo de Estado – foi apenas o espectro que pairou sobre a Europa – a América Latina, a África e a Ásia –, de modo que os donos do poder envergaram os dedos para reaverem a concessão temporária dos belíssimos anéis. (Brevíssima história do velório da Mãe Rússia financiado pelo filho bastardo, o Neoliberalismo.)

Leitor de Eric Hobsbawm, o diretor Marcelo Masagão, em 1998, procurou sintetizar as trajetórias díspares do século XX por meio de colagens poéticas que sempre pairam sobre o local que, ao fim e ao cabo, cala quaisquer contradições.

A partir dos vídeos abaixo, convido a todos para assistirmos ao documentário


Nós que aqui estamos por vós esperamos

PARTE I





PARTE II



PARTE III



PARTE IV



PARTE V



PARTE VI



PARTE VII



PARTE VIII

Agradeço à Profa. Eliane Pascoal pela retomada histórico-pedagógica do belíssimo documentário de Marcelo Masagão.

3 comentários:

  1. boa, flavião! capitalismo de estado.
    semana do 23 ao 27 estarei flanando pela capital...trombemos, pois, pinche gringo!
    abração, velho saudoso!
    abrax

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  2. Daniel Françãodomingo, 15 maio, 2011

    Flavio,
    obrigado por compartilhar o documentário. adorei.
    abraço.
    Daniel

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  3. Na última aula, procurei centrar minha análise no conceito de esfacelamento da identidade do indivíduo burguês, conceito largamente explicitado pelo ensaio "Guerra Civil", de Hans Magnus Enzensberger.

    Vocês poderiam me ter perguntado: "Flávio, o indivíduo burguês, munido do leque de suas características precípuas - branco (eurodescendente), heterossexual, empreendedor, cristão - seria idêntico a si mesmo em seu próprio berço de nascimento? A Europa, alguma vez, já deu à luz uma pessoa que encarnasse tal concepção de modo efetivo?"

    Lembremos, então, que não se trata de encarnar a ideologia em seus agentes pragmáticos, mas de fazê-los - fazer-nos (!) - sofrer e pestanejar pelo fato de terem de se adequar ao paradigma. Por esse prisma, mesmo os outsiders pagam tributo à ordem central.

    Lembremos, também, que ao lado do ensolarado Victor Hugo e seu Jean Valjean - o antigo condenado que encontrou a redenção pelo trabalho cristão - pairavam as sombras sifilíticas do casto Marquês de Sade e seus 120 dias de Gomorra. Vemos, assim, que a literatura que tateia pelo negativo - a despeito do otimismo de sua época - bem pode expressar o ethos efetivo do burguês. Afinal, mesmo que o mundo parecesse um Éden para o empreendedorismo, qual era o preço pago pelos africanos e indígenas e colonos?

    Hoje, quando a periferia do capitalismo já se esgueira pelas metrópoles centrais - Nova Iorque, Berlim, Paris e Londres, para citarmos os exemplos de que seus moradores mais têm vergonha -, não parece tão acintoso o descumprimento da moralidade civilizatória. Afinal, quando é que os ingleses deixaram de dispensar aos indianos o mesmo tratamento humanitário cuspido contra o brasileiro Jean Charles de Menezes em pleno metrô londrino? Ora, pessoal, tudo isso às barras das longas, castas e longas saias da Rainha Vitória! (A Rainha Elizabeth, a Virgem, e seu amante civilizado, o pirata Francis Drake, oferecem uma Guiness revisitada à humanista Scotland Yard.)

    Mas que dizer da América Latina? Que dizer de um dos países mais peculiares de que todos os dias temos notícia? O Brasil, pessoal, o Brasil da alegria contingenciada e com hora e data pra terminar - o coito interrompido de nosso carnaval. O Brasil do glorioso Sport Club Corinthians Paulista e da Gaviões da Fiel - a mesma torcida que se revolta apenas contra as grades dos estádios. Afinal, pessoal, a raiva tem hora e lugar para ser escoada, e tanto melhor se os oprimidos puderem ejacular sua raiva legítima... justamente contra os oprimidos não reunidos. E que o riquíssimo bairro de Higienópolis, às imediações do Pacaembu, permaneça religiosamente intacto. Por séculos e séculos, amém.

    Não à toa, pessoal, o Capitão Nascimento é o herói nacional. (Ainda que Sandro NASCIMENTO, o anti-herói de "Ônibus 174", ainda rasteje por esmolas.)

    Veremos, na sexta-feira, como é que a formação brasileira, em relação ao paradigma burguês europeu, mimetiza, a contrapelo, uma verdadeira deformação - deformação, no entanto, que mostra ao capitalismo central o sentido efetivo de sua socialização. Só então compreenderemos - já no confessionário singelo do Capitão - como um torturador e homicida pode ser visto como a outra face da moeda - R$ 1,99 - incólume que faz com que Roberto Justus, ao fim e ao cabo, durma o merecido sono dos justos.

    Até sexta, pessoal, abraços!

    Flávio Ricardo

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