Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

sábado, 16 de abril de 2011

Berlim

Meus amigos,


Percorramos as alamedas hieróglifas de Berlim - que as vivências cristalizadas paulatinamente desvelem as muitas camadas de sentido.



Sob as tílias cromáticas na Av. Unter den Linden

Junto ao Portal de Brandemburgo

A arquitetura e a genealogia dos feitos militares - barricadas silenciosas


Ao Povo alemão (quanto à população alemã, turcos inclusos, os 500 são outros)

No Reichstag, decisões supostamente translúcidas

Eu NÃO sou uma terrorista - ROSA, flor, espinhos...

Porque a arte é não apenas o duplo, mas a encarnação da própria sombra

Metro etílico

Este narrador subterrâneo e o amigo Marco - porque a hidratação continua!

Chove no céu da boca

Viagra germânico

"A arquitetura serve, antes de mais nada, para fazer a guerra"

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus

Acreditamos em um Deus morto

Pensão alimentícia

E a hidratação continua!

Tautologia da segunda-feira

Poseidon ilhado

A imagem da vontade

O belo se cala

Engels, Marx e este pupilo :-)

Sentinelas hirtas

Stanlingrado

Justapostos

Big Brother is watching you

Porque a contradição é pressuposta

"Os filósofos só fizeram interpretar o mundo de diferentes maneiras; trata-se, no entanto, de transformá-lo".

Carlos Marques, presidente emérito da Adidas, porque IMPOSSIBLE IS NOTHING

Deutschland...

Deutschland über alles...

Tese

Antítese

Síntese: o último vôo da Coruja de Minerva

Por que fresta exígua se insinua a Esperança?

Em marcha!

Halt!

O bastardo

Onde está você, Godot?

IV Reich

Cicatriz rediviva

Se queres paz, prepara-te para a guerra

Protocolo dos Sábios de Sião

Réquiem

Porque a contradição é pressuposta

Memórias do Subsolo

Colarinho azul

Olhos aprumados

O belo cala

Vestígios

Sob o sobretudo

Curriculum Mortis

A fresta exígua por que se insinua a Esperança

Pandora não cabe em si mesma

Apresento-lhes Herr Helmut Rader, o partisan que mais cicatriz pôde fazer contra o Muro de Berlim

Samuel Godot

Abraço mediado a 1 passo de Berlim

Se a vida é um labirinto repleto de som e fúria que, ao fim e ao cabo, nada significa, por que fresta exígua se insinua a Esperança?

Big Brother is watching you

Pai, Filho - e o Espírito Santo?

Cruz alquebrada

Onde um ou mais estiverem, lá nós não estaremos

Contribuição visceral dos nazistas ao ethos do capitalismo:

ARBEIT MACHT FREI - O TRABALHO LIBERTA

Primeiro atiraremos, depois os documentos serão verificados

A natureza mimetiza a dor dos corpos vergados

Corredor Polonês

Tetos e costas abaulados

Santíssima Trindade mundana

Picasso, o desenhista

Afago em flocos

Lari, mãe, amo vocês!

É, não só de pão vive o homem, mas de toda a ajuda do Pai ausente

Ilustre

Discóbolo belicoso

Rodin alemão

9 comentários:

  1. Fala meu, beleza? Sou amigo do Hugo, te conheci um dia em que vc esteve no escritório! Vc esta pela Europa agora? Estou em Londres, se vier pra cá e quiser tomar uma breja da um toque, abraço!


    Eduardo

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  2. me encantaron las fotos, cuando estuvistes?

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  3. buenazas!!!! me gusta el carrito rojo y te veo muy elegante jaja :). Maga! (de peruu)

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  4. Oi Flávio, tudo bem? Curioso, além do amor por Dostoiévski, nós compartilhamos vários roteiros: nas suas fotos de Berlim, reconheci muitas das minhas andanças por lá, assim como já tinha acontecido com seus registros de Moscou e São Petersburgo. Lindas lembranças e muitas saudades. Um grande abraço, meu companheiro virtual de viagem :-)

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  5. Andar pelos labirintos da história é uma outra história! Bela viagem...

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  6. O Subsolo de suas Memórias sempre surpreende, e algumas vezes emociona, como nessas belas imagens da monumental, e admirável, Berlin, da
    qual identifiquei inúmeros pontos de interesse das minhas visitas ao Leste Europeu.
    Abraço,
    Reinaldo

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  7. PARTE I
    Nesta sexta-feira, iniciamos a discussão entre O Processo, de Kafka, e Laranja Mecânica, de Kubrick, mas não sem antes estabelecermos uma panorama geral sobre os tópicos já discutidos ao longo do curso.

    A concepção da morte de Deus vem à tona como a derrocada da instância divina como ethos aglutinador para a organização da sociedade. Por esse prisma, e apesar de suas muitas diferenças, socialismo e nacional-socialismo se apresentam como movimentos atávicos após a morte de Deus: a transcendência foi denegada por ambos os movimentos, mas tanto o nazismo quanto o socialismo tentaram cunhar seus deuses peculiares. Hitler e a hierarquia ariana, Lênin e a revolução internacional.

    Vimos que ambas as respostas não puderam dar conta de novas totalizações norteadoras para as relações sociais. É por esse prisma que Dostoiévski pode ser lido como um escritor eminentemente preocupado com o vácuo ético advindo da morte de Deus. Qual poderia ser o bastião moral quando tudo o que é sagrado pode ser profanado? A contrapelo, poderíamos pedir a Dostoiévski que observasse a brutalidade feudal e nos dissesse se o modelo de desigualdade congênita de fato pode oferecer uma alternativa exeqüível à modernidade.

    A arte e sua polissemia, por mais que quisessem transcender a peculiaridade de seu contexto, na verdade foram introjetadas como empresas com linguagens específicas - mas solvência de acordo com as regras do jogo. Isso não significa dizer que a arte foi completamente subsumida por meio da esterilização de seu discurso. Procuramos argumentar que os parâmetros de recepção tornam-se cada vez mais marcados pela fruição do público - o que seria muito benéfico para a democratização da arte, SE houvesse efetivas educação e formação. No entanto, quando se fala da deformação própria à indústria cultural, entrevemos que a alcunha de elitista para determinado artista tende a corroborar os parâmetros mediocrizados de produção. Algo como a auto-emulação do leitor que não deve fazer esforço algum para evoluir esteticamente. Como não há mais tempo para ler - o humanismo tende a ser relegado como um interstício aristocrático na sociedade que tudo quer explorar e otimizar -, é importante que não se perca tempo com o acréscimo de vocabulário, o aumento do poder de abstração, a tentativa de entender novas tomadas de posição por parte dos escritores. Não à toa, pessoal, vemos muitas obras de arte nas estações de metrô - ah, claro, sobretudo na linha verde centralizada, raramente na linha vermelha pauperizada. Os transeuntes que só estão de passagem, aqueles que não têm tempo para a fruição paulatina: a arte deve se resignar a entreter. Apenas especialistas eruditos tentarão bradar por algo mais.

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  8. PARTE II
    Lembremos uma epígrafe de Theodor Adorno que tenta flertar com a Esperança. Em seu livro de ensaios Prismas, Adorno apreende a história contraditória como um mar revolto e instável. As idéias seriam pergaminhos resguardados em garrafas a serem arremessadas contra as ondas convulsas. Não se poderia prever o sentido da história - se caminharíamos rumo à barbárie ou à emancipação -, mas poderia haver no futuro uma maior materialidade crítica para que as idéias readquirissem poder de influência emancipatória. Alguém então retiraria as rolhas e leria os pergaminhos. Mais: viveria efetivamente as idéias.

    Eis uma idéia pela qual vale a pena morrer! Que pena, Adorno: fosse uma idéia pela qual valesse a pena viver...

    Após o corredor polonês anteriormente aventado, chegamos a Kafka e a Kubrick.

    Procuramos entender o modo pelo qual a marginalidade de Alex teria vindo à tona de acordo com a montagem fílmica de Kubrick. A ausência da autoridade familiar e do Estado; a perda da ética do trabalho; o hedonismo. Quando o agente da condicional de Alex o questiona sobre suas atitudes, Kubrick nos faz pensar sobre qual seria o esteio ético - se é que haveria algum - que daria coesão à sociedade. O acúmulo de falos e a constante alusão - velada e/ou nua - ao sexo nos leva a crer que uma das chaves seria o prazer.

    O prazer mutilado.

    Também o protagonista de Homero, Ulisses, precisou mutilar o próprio prazer para poder auscultar o canto da sereia Circe. Ulisses, o estadista grego, precisava honrar a Hélade e voltar a Ítaca. Mas a ilha das sereias se insinuava entre Ítaca e a saudade do herói. O canto da sereia que seduz e estraçalha. O prenúncio da viúva negra. Que faz Ulisses para retornar a Ítaca - sobreviver - e também ser acariciado por Circe - viver, gozar?. Acorrenta-se ao mastro de sua nau e lacra os ouvidos com cera. O prazer pode vir à tona, sim, desde que a marca opressora da civilização venha à tona.

    Hoje, quem mais contrapõe o ímpeto de Ulisses antes da chegadas das correntes e da cera? Na verdade, foi esse o termo que me levou a sugerir que O Processo de Kafka encontra-se, de certo modo, superado historicamente: o protagonista Josef K. sente a opressão de um Big Brother etéreo que apenas no instante final se apresenta. Ao longo de toda a narrativa encurralada, Josef K. procura entender a natureza do processo que o coage a uma angústia e a uma espera que não revelam nem seus motivos e nem o termo de sua duração. Galera, Josef K. ainda procura entender, ainda tenta trazer à consciência a opressão - o algoz ainda não está completamente introjetado.

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  9. PARTE III

    Mas e hoje?

    Onde há discórdia? Onde há dissenso?

    Kubrick talvez encontre no hedonismo o vínculo de agregação social. Seria este o mesmo prazer excludente e competitivo que não agrega, mas apenas ejacula? Na verdade, é a brutal desigualdade social que nos aglutina em uma sociedade que produz os recursos coletivamente mas os usurpa de maneira privada. Ainda que nossas milhões de trajetórias tenham alvos imediatamente destoantes pelos trilhos escassos do metrô de São Paulo, há um fundo (do poço) comum que não permite que a autonomia possa de fato ser deliberada: o trabalho compulsório, a necessidade de solvência.

    Um abraço a todos, bom feriado!

    Flávio Ricardo

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