Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

sábado, 24 de abril de 2010

Na calçada


Meus amigos,

Há algum tempo, me deparei com Carlos Drummond de Andrade Na calçada.

Eis o que auscultei pela leitura crônica das palavras em silêncio:

"Encontro o escritor na calçada, à noite. Passeia com a cadelinha, se não é ela que o leva a passeio, com um movimento imperativo na causa: 'Pára de trabalhar, rapaz!' Vestido informalmente, nada o distingue de um homem comum. O homem comum não responderia o que ele me responde, se lhe pergunto a que hora gosta de escrever: 'Não tenho hora. Eu escrevo sempre. Às vezes interrompo a escrita para fazer alguma coisa, mas volto logo a escrever'.

Nenhum escritor comum, igualmente, responderia isso. Os escritores se queixam de que não podem, não conseguem escrever. A vida cotidiana furta-lhes a concentração, e, quando se concentram, o doloroso ofício das palavras expõe-lhes todo o arsenal de cilícios. O escritor desejaria escrever em horas insólitas, em um tempo fora do tempo, e nas horas estatuárias ou possíveis quer fugir a essa obrigação: O mar está chamando, a beleza, o amor, a simples distração está chamando...

'Ah, se eu fosse rico!', lamenta-se um; 'isolava-me, assim daria minha medida'. 'Tão bom se eu fosse pobre', cisma aquele; 'teria bastante solidão, toda a minha riqueza seria escrever'. Com isto se justificam ou se iludem. Este, porém, não é rico nem pobre; tem obrigação monótona e externa, que empece tantos talentos; cumpre-a como se cumprem atos de toalete, escrupulosamente, no plano periférico; no mais íntimo, pensa no que vai escrever; escreve em branco. Não se entrega à circunstância nem à condição civil.

'Meus três livros (conta-me) foram escritos em sete meses cada um, mais quatro meses para polimento, embora o tamanho diferente deles. Foram feitos afinal em um ano, descontando-se um mês para respiração. Um deles, escrevi-o das 9 da manhã às 2 da madrugada, diariamente. Durante esse prazo, pedia que me servissem comida de pé'.

Diz isso tão naturalmente que não descubro gabolice na confissão; sente-se a felicidade, não de dizer, mas de ser e fazer assim. A angústia não existe então para ele?, indago. Existe, sim. Também duvida do que escreve, depois de entregar os originais à impressão. Fica imaginando que não escreveu o que sabia ou podia, mas ao se ler impresso costuma aprovar-se, por que negar a verdade? E sonda maliciosamente a opinião do próximo, detecta reações, embora não venham a influir em nada na sua literatura. Dá-se o luxo de forçar o público a uma definição, que contudo não o atinge, em seu aquário. Atordoa, confunde, irrita, alicia, conquista. Sem fazer concessão! Aos que lhe pedem prefácio - mapa da mina, alertados de suas superpostas ou subterrâneas intenções e encantações, costuma responder: 'O padeiro faz prefácio para o pão?' O público é que vem a ele, vencido, não raro contra o parecer de letrados. Há indivíduos simples que o descobrem em sua complexidade e o amam, sem luta.

'O tempo (continua) é que é meu inimigo, e eu fujo à sua dimensão. Se leio jornal, seleciono as notícias. As de atualidade mais crítica, transporto-as para dois milênios antes, ou mais. Assim os Aníbais, os Faraós assumem o lugar de X, de Y, de Z, e eu consigo isolar-me para captar o mistério do homem, no universo mágico. Porque, se os acontecimentos não me interessam, a realidade, que é mágica, me interessa muito. Este simples encontro entre nós é cheio de significação, e não foi por acaso. Viver - mas você já sabe disso - é muito perigoso...'

A cadelinha do escritor, sem impaciência, treinada para acompanhar as vigílias criativas ou meditativas, acomoda-se na calçada, enquanto ele conversa, ao jeito antigo do interior brasileiro, como se deve conversar, à margem de interesse imediato. E ela também é um dado do seu universo maravihoso, que os passantes não percebem na rua tranqüila, na plácida noite de bairro. Assim como, banhados de sorrateira claridade, não percebem, não se dão ao trabalho de perceber, no alto, na lua - quem sabe se estranha rosa?"

terça-feira, 6 de abril de 2010

Rumo a Machu Picchu

Meus amigos,

Foram 4 dias de escalada (ufa!).

A Objetiva foi serpenteando – e arfando – pelos Andes. O resultado da trilha fotográfica Rumo a Machu Picchu vocês conferem agora.




No vestiário, o aquecimento



Ollamtaytambo, km 82


Marco Zero


O Centauro estaciona


Tetos


Vamos?


Trilha loteada


Descarrilhado


Caminhar é preciso


Recursos propriamente alheios


No 4º dia, o santuário vira umbral...


Ponte do cai que ri


O ingre$$o


Será que o mapa retrata a dor nas pernas?


Eis a fonte sóbria da Tequila!

Bem-vindo ao deserto do real



Guardião hirto


Jontex


Olla


CDHU inca


Xamã natural


Cicatriz liquefeita


Terceiro ramo do rio


Aleida, a guia mais simpática rumo a Machu Picchu


Saudosa maloca, maloca querida, din-din-donde nóis passemu nossa vida


Tetos


Fardos coloridos


Tetos


Afago montanhoso


Com a panturrilha latejante




Pálido?


Jogo...


... dos sete erros


Guardião impávido


Os incas e o prenúncio da Sabesp - curvas de nível


Foggy



Você vê o condor?


Tu és Pedro, e sobre esta pedra os espanhóis soerguerão o meu Reino


Rugas, cicatrizes da vida


Pedrospectiva


Ladeando


Fronte pétrea


Ladeando


Erosionar é preciso


Você vê o condor?


Atrás das nuvens?


Luz enevoada


Tom sobre tom



Apagão aéreo



Roça inca


O mapa retrato os pulmões rarefeitos?


À correnteza


A foto tenta respirar


A neve e a névoa


Altivez esguia




Brancos matizes


Tetos



Altiplano


Fome verde


Quilometragem íngreme



Aqui tem a Chicha, o melhor fermentado de milho entre os incas!



Teleférico a 3500 Volts


Se você não vê o condor, a galinha você vê, né?



Afago nublado



Hostel retrátil


Guerreiros incas


Propriedade privada de propriedade


Justapostos



Dedo em riste


Tetos



Saudade do SUS



Rumo a Machu Picchu (só mais 3500 metros acima e a pé)


É lá?



Você vê o condor?


Beijo da névoa



Resquício de altivez esguia



De fato, o mapa retrata as costas vergadas...


Ursinho Pimpão


Tom vela tom


Mangue montanhoso?


Raízes aéreas?



O céu encopado



Rumo a Machu Picchu (só mais 2888 metros a pé e acima se abaixando)


Dorsos retorcidos


A nuvem não esconde o condor. Você o vê?



Paleta enevoada


Verdes matizes


Folhas defumadas


Choupana


Olhos azuis



A montanha, a mulher deitada - e intumescida



Cansado?


O pasto...


... e o repasto


Bungee jump


Base x Altura



Tava longe na foto mais acima, né? Pois é, ainda tá...


Altura x base


O tom não era mais verde?


Agora tá mais perto, né? Sim, sim: só mais 547 degraus, no más


O ar rarefeito e o sorriso amarelo



Alilás



:-)


Aflora


Nada de nuvem no front



Altiplano


323 degraus, no más... (Você ao menos vê o seio, né?)

Condor: canto superior direito




Ver o seio - tocá-lo? 122 degraus


Côncavo e convexo



Chegando... a 67 degraus



Convexo e côncavo



Perfil úmido



Eu subi, e quanto a eles?


Se perderam na névoa...


Altivez esguia


Ao fim deste veio à direita, eu prometo: o condor


Os degraus são bem pequenos, você vê?


Hostel retrátil - quartos individuais


Telecurso 2000
Aula 1: Fotografia


Noites Branco-Azuladas


Anihil


Palidez


Petrospectiva


A montanha ausente


Arcada pétrea



Retângulo enquadrado


Dedo em riste



Petrospectiva


Labirinto pétreo


Subi, não?



Lua e meia pétrea


O condor ali está


Basta subir o paredão, mais nada




Homenagem inca ao glorioso São Paulo Futebol Clube



Pé anti-pé



Perto do coração selvagem
(Para Regina Lúcia Pontieri)



Agora desçamos




Rubro pétreo




Escorregão pétreo




Esboço pétreo




Pois é, a trilha inca veio lá de baixo...



O Objetiva encerra a imensidão



Hímensidão


Pois é, lá de baixo veio a trilha inca


Justapostos


Verdes matizes


Verde-azulado



Parece montagem?



Sorria, Aleida!




km 82!





Começa a Trilha Inca