Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

domingo, 11 de outubro de 2009

Balletmanco


Meus amigos,


Quero convidá-los para o lançamento do mais novo libelo do meu amigo Donny Correia: Balletmanco.


O libelo, a libélula, movimento autóctone, palavras lançadas, desferidas, feridas que não cicatrizam.


No dia 13 de novembro próximo, às 19h30, na Casa das Rosas - http://www.poiesis.org.br/casadasrosas - haverá o lançamento de


Balletmanco, por Donny Correia


Valor de Uso, por Marcelo Tapia e


A esfera e os dias, por Jaa Torrano.


Os livros serão lançados pelo selo [e], que faz parte da Editora Annablume - http://www.annablume.com.br/.


Assessoria de Imprensa: Patrícia Cicarelli: cicarelli@uol.com.br; tel: (11) 9980-3813.


Donny Correia tresanda pelos seguintes endereços: donnycorreia@hotmail.com e http://paradoxocronicofilmes.blogspot.com/.


Abaixo compartilho com vocês a minha experiência polifônica pelo Balletmanco.


Grande abraço a todos,


Bazárov


P.S.: A foto de Donny Correia e a imagenigma da slowcura.
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Balletmanco, cadência trôpega, paradoxo a caminhar pelo fio exíguo, navalha de um só gume, cume, “corda que cravou em tua nuca um ponto final”.

Donny, o cinema e a cinética, palavras quadros sucessivos, súbito estático, extático:

“E vendo assim sua carne de cera
deitada n’alcova – livre –
reconheço cada parte onde tu foste corda
onde em mim
fosses forca”.

Cada passo, cadafalso.
Mãos dadas – atadas –, dados: lance de dados, desenlace, a página
rompe
a
oração
subordinada,
palavra de joelhos.

O leito, a leitura – leitura ereta, herética.

Palavras sulcadas, liquefeitas, fluidor, metástase, “câncer um cancro asqueroso de amor regradesmesurado”.

Infração.
Norma.
Infra ação
Norman Bathes – Donny e a ânsia da palavra tomada em plano aberto, rasgado.

Rasgada.

“Quando entro em suas carnes/ sinto cheiro de ‘podrer’/ sinto núpcias reais/ sinto todo me moer...”

Memória.
Memóiria.

Vísceras.
Vis-ceras.
Vi-sceras.

3 segundos, tr3s.

O tempo e o estampido.

O tempo e a têmpora.

Derrame não mais represado.

Vermelho viscoso, atemporal...

Cáustica ironia de palavras esturricadas,
o calor e o calar, calor gélido, frio, febril – Balletmanco.

“Farto de mim mesmo sem almejar me calar”,
(w)hole.

“Caibo na palma de minha palma que bate palma para não caber”.

Caibo em mim mesmo – vez por outra a lágrima transborda.

Confissão com fissão.

“Respirei fundo e meus olhos emparedaram o ar em pulmões castigados”.

A pleura, il pleut, chove em mim, pulmão inalado, olhos sem janelas, paredes do meu corpo copo translúcido... mas impermeável.

Vem! Vem! Vem, minha doce, vem lânguida, vem!

Sussurrealismo.

“Desenvolvemos o hábito de dormir nas cinzas”.

Cinza cicatriz punciona “enquanto você dorme e eu inalo poeira de vidro no pulmão enrijecido”.

Pneumotórax.

Tosse vermelha, viscosa.
Tosse de joelhos, pulmão prostrado.

“O gigante cai com as pernas decepadas”.

Balletmanco atonal.

O Quebra-nozes.

Nós.

6 comentários:

  1. Poxa, muito interessante esse intercâmbio de idéias e poéticas, idéias poéticas e autores! Agudas (afiadas) as imagens do Donny, Bazárov. Quando você fala em cinematrografia, faço o rewind para captar o que as imagens do Donny congregam de movimento - movimento que (se) congela, o amor de cera, o pulmão a aspirar pó de vidro. Imagens de corpos que doem, uma experiência rente à dor. Respirar o próprio pulmão. O Balletmanco já aponta para o corpo decaído, o corpo que gera um rastro.

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  2. Muito doidos e doídos os filmes do Donny! Não à toa o paradoxo crônico.

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  3. O labirinto da língua traga a escrita para uma auto-referência desde a apresentação mais precípua: o título. Balletmanco, pelo que que vejo - e ouço -, traz a história mediada pela palavra de modo a que o signo seja uma pegada, o invólucro efetivo do conteúdo. “Quando entro em suas carnes/ sinto cheiro de ‘podrer’/ sinto núpcias reais/ sinto todo me moer...”. Essa passagem chegou a me causar náusea pela ambigüidade própria ao ato: o penetrar quer rasgar. O 'podrer' nos leva a núpcias reais: reais, efetivas, concretas; reais, da realeza, o poder; reais, o podrer das vísceras que gozam. Manda um abraço ao Donny, Flá!
    Michele Camargo

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  4. A linguagem assim trabalhada chama próxima ao texto. Interessante é a autopercepção de que a distância estética vai ruindo, vai se tornando cálida, vai excitando, "sussurrealismo". A imagem do pó de vidro inalado é tétrica e requer quase uma aversão ao corpo. "Corda que cravou em tua nuca um ponto final", dá pra ouvir o tec na vértebra do pescoço... Beijos, Camila

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  5. Bazárov e Donny,
    Talvez eu possa ler o Balletmanco como uma f-o-r-m-a de subsumir o tempo. Há uma menção a "tr3s segundos", mas já não podemos sentir os pés sobre o chão. A linguagem que se volta sobre si mesma parece envolta por um movimento perpétuo de autoconsciência que, eventualmente (e muito contingencialmente), toma contato com o mundo, digamos, da semãntica tangível, do que é mais próprio ao conteúdo. A lingua que deve expressar tende a imprimir mais uma mediação entre meu desejo e os lábios. A salvaguarda para a falta de sentido - o foi assim como o era uma vez - como mais um cárcere livremente à tona. “Caibo na palma de minha palma que bate palma para não caber”. Quem toca o que a linguagem retoca? A mão deve passar pela m-ã-o. O toque e o não. O escrito e a meta, a linguagem. O texto e o palimpsesto, o hieróglifo. Até onde pode ir a auto-referência? Abraços aos autores, sorte ao Donny no lançamento!
    Carlos Escandir

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  6. Até onde? "O limite da minha língua são os limites do meu mundo". "Acabei de morrer". O Subsolo das Memórias lembra muito de si mesmo em sua trajetória elíptica - e elipse.

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