Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Holoclaustro

Meus amigos,


Estive em Auschwitz.


A Objetiva de minha câmera câmara de gás procurou aprisionar a derrocada objetiva do projeto de emancipação humana. A Razão arfa asfixiada. Dialética do Obscurecimento. Holoclaustro.



Auschwitz, para os poloneses, palavra amordaçada




Just do it!



Na entrada gargântula de Auschwitz
ARBEIT MACHT FREI
O trabalho liberta



Em cruz ilhado



Sublimação




Rugas, cicatrizes da vida




A fome não me sente




Impossible is nothing



De um órfão: Pai, por que me abandonaste?




Pentagrama




Distúrbio Borderline




O prenúncio...




... da campa





Lápide

44 comentários:

  1. Bazárov,
    Foi uma lúgubre coincidência encontrar essas fotos por aqui... Hoje fui à livraria e comprei a Dialética Negativa, do Adorno. Os leitores temos daquelas de abrir o livro em determinada página pra dar uma verificada de pronto. Pois eu caí na parte final - ali me enterraram. O Adorno tenta tecer comentários sobre a metafísica. A metafísica após Auschwitz. A cicatriz da busca por um sentido após o completo abandono de Deus. Fico pensando na metafísica religiosa que é perfeita em si mesma. As contradições são relegadas como mero mal funcionamento humana - o nazismo fez questão de aparar as arestas. O sistema religioso racional, incólume, cada parte tem sua correspondência no todo. A que preço é esse sistema erigido? A que preço os mundos mais evoluídos assistem à aniquilação e ao sofrimento? Chega a ser vil o apego ao idealismo religioso e metafísico. Após Auschwitz? Ora, isso é lá com os europeus. Nós somos brasileiros, Auschwitz já teve sua introjeção.
    Contraditoriamente, talvez cheguemos a uma metafísica que retorna ao corpo. Em tempos de relativismo que faz a totalidade ser totalitária a ponto de mediar todos e cada um de nossos atos, resta-nos a condição de EXPLORADOS; resta-nos a condição de sermos EXPLORADOS NO CORPO. O corpo dói. "O positivo só permanece positivo em sua negatividade". A dor nos alerta para a vida. Não estamos vivos. Não! Devemos permanecer vivos - a despeito da completa falta de sentido. Falta de sentido que a mácula religiosa já não pode suprir sem muito ter de que se envergonhar.
    Grata e lúgubre surpresa saber que você captura as vivências também fotograficamente.
    O Subsolo das Memórias agora também se confunde com a câmara do derradeiro arfar.
    Abraços em condolência, Bazárov,
    Ivan Negativo

    ResponderExcluir
  2. Suas palavras, meu caro.
    Penduraram meu ventre
    no teto.

    Sabrina Gahyva

    ResponderExcluir
  3. haja estômago...

    Camilla Carnevale

    ResponderExcluir
  4. De onde vem essa ânsia em se ultrapassar o e-eEstado da barbárie? Como hoje podemos identificar que esse estado efetivamente corresponde a uma barbárie? Por que nós, brandos pequeno-burgueses brancos - em nossa maioria, amém! - navegantes odisséicos desse blog, hoje, aqui, agora, nos sensibilizamos com a tonitruante miséria em todas as suas faces possíveis? O que nos impele a rejeitar tal estado de coisas? Será que esse estado de mal-estar objetivo perpassava os estômagos de alguns daqueles que presenciavam execuções públicas em cruzes? As feras devorando as vísceras nos pais de nossos estádios de futebol atuais? As fogueiras tomando conta dos hereges? Nada mudou? Tudo mudou? Nada mudará? Tudo mudará? Por que, humanidade? Por que humanidade? Apesar de tudo, por que humanidade? Por que e como ainda conseguimos sonhar?
    Você sabe quem, Bazárov.

    ResponderExcluir
  5. Bazárov,
    As fotos falam do pior, é uma sensação tão ruim, e ao mesmo tempo são absolutamente lindas; o que elas têm de humano consegue fazer doer de uma forma que não inclui pena; saber que outro ser humano registrou seu olhar e quis nos mostrar isso as humaniza ainda mais; apesar de não deixar de doer.
    Beijão,
    Lu

    ResponderExcluir
  6. Caro Flávio,
    Creio já ter-lhe dito que em minhas andanças pelo mundo, dois lugares, particularmente,
    tocaram demais os meus sentimentos: Hiroshima e Auschwitz. Hoje, ao ler seus "subsolos
    das memórias" revi, com assombrosa nitidez, imagens que presenciei há um ano, na Polônia.
    Peço-lhe permissão para fazer também minha a sua grande sensibilidade.
    Abraço,
    Reinaldo

    ResponderExcluir
  7. Flavião,

    Fotos incríveis numa disposição poética!

    A escrita é sua proeza maior, mas sua arte exige mais, ela transcende mídias e formatos

    Parabéns!

    Seu Primo-Irmão

    ResponderExcluir
  8. Bazárov, meu velho,
    Venho acompanhando o seu blog desde a época moscovita. Confesso que alguns textos me trazem angústia e aflição. A sua disposição pra olhar direto pra Esfinge não é das coisas mais palatáveis. Mas agora eu quero dar um depoimento de uma impressão muito pessoal.
    O fato é que eu sou religioso. Procuro estruturar a minha vida em função daquilo em que acredito. E nós sabemos como isso já não é possível. Mas eu insisto. Chegou um dia, cara, que eu comecei a me sentir mal - uma angústia que eu atribuía a mim mesmo, mas que, com o tempo - e com honestidade comigo mesmo -, fui percebendo que não se tratava meramente de um mal estar próprio a mim.

    ResponderExcluir
  9. Continuando...
    Eu lia sobre a diluição das contradições que a racionalidade religiosa me fornecia - me aproximei de várias correntes: o kardeccionismo, o esoterismo, Madame Blavátski, enfim. Alguém pouco acima colocou sobre o preço que se paga pela diluição da contradição em termos ideais - e o prosseguimento do sofrimento nos rostos transfigurados de cada um de nós. E isso começou a me trazer uma angústia que me levou a uma cisão completa: eu tive que criar um mundo restrito, mesquinho e tacanho pra proteger a minha fé do contraste com o mundo que nada mais tinha a ver com Deus. No mais, eu agia de maneira tão contumaz quanto cada um dos demais que, em abstrato, eu tanto criticava. Fui percebendo o quanto a religião se tornou um sucedâneo pros momentos de fraqueza - um comprimido não mais que individual e contingente pros momentos em que já não suportava. Nunca me importei com provas materiais - não sou discípulo de Tomé. Importava-me o sofrimento, a injustiça, a falta de qualquer tipo de convivência mínima para que o amor mútuo pudesse vir à tona. Não o amor ao próximo abstrato, mas o amor àquele que está ao nosso lado.

    ResponderExcluir
  10. Continuando...
    O ápice da minha crise veio quando li NOSSO LAR, do Chico Xavier. Chega a parte em que a Segunda Guerra Mundial está para eclodir. E eu, ingenuamente, acredito que os espíritos vão interceder - pois é, a neurose religiosa é tão absurda que chegamos a projetar pra cada olhar nosso uma contrapartida religiosa que dilua qualquer tipo de contradição. No sistema, já está tudo feito e perfeito, ainda que ao preço da lágrima da mais inocente criança. Afinal, cada um de nós escolheu o caminho a seguir - mas que sucedâneo conservador pra manter o status quo com vistas à perfeição ideal... Mas eu achava, eu achava que os espíritos iriam interceder, que a Guerra não aconteceria - ainda que eu já soubesse o fim da história. E o espíritos, bom, os espíritos se põem a rezar! A rezar! Vamos tomar um passe ou acender uma vela a San Genaro - talvez a fome deixe de consumir o faminto. Mas eu já não vivo sem o meu deus - mas um entre os outros, mas o meu deus. Como eu poderia suportar a minha vida modorrenta e anódina? Tenho medo, eu confesso, de viver coisas que não poderia suportar - não teria referencial pra me orientar sem os meus dogmas de alfabetização. Prefiro ficar aqui no meu cantinho, achando que o mundo está se aproximando do caminho que, idealmente, eu acho que é o melhor - e se não for, ao menos me consola, ao menos me faz aceitar todos os enganos que já me sucederam, todas as coisas que tive que agüentar só por conta do útero acolhedor da minha religião. Trata-se de hipocrisia, muito dirão. Mas não, não é hipocrisia, não. É a necessidade de auto-engano para alguém que não só não pode como não quer aceitar a realidade tal qual ela é. Antes um marxista até diria: a realidade não é, a realidade se transforma. Um marxista religioso, bem entendido. E hoje? Hoje, bom, que Deus tenha piedade de nós. Que haja um juiz para toda essa sina. É o que desejo.
    E a pergunta do órfão: Pai, por que me abandonaste? - me faço essa pergunta a todo momento...

    ResponderExcluir
  11. Olha, Flavião, a sensação de engulho não poderia ser mais forte. Já senti isso muitas vezes diante do belo, cara, mas como é que o belo pode provir do lúgubre? Do lúgubre? Do mal absoluto, do terror, do horror? Quem é aquela senhorinha com o rosto vergado pela dor? Dostoiévski uma vez disse - e com conhecimento de causa - que a liberdade, para os detentos, parece mais livre do que de fato é. Pois nossa liberdade só se apresenta amputada enquanto a fronteira lábil não estiver a nos roçar as costas prostradas. Do caralho, velho, mas queria deixar de sentir essa admiração pelo belo horrível, velho, porque eu pressinto que há muito de cumplicidade em tudo isso, irmão.
    Saulão

    ResponderExcluir
  12. Saulão, meu irmão,

    Você pegou a veia da parada, cara. Sinceramente, não tenho o que te dizer, não. Como não dizer que eu sinto isso todos os dias quando pego da pena? Ainda mais com a minha atração pelo abismo, irmão.

    Outro dia li um ensaio muito interessante. O artista como representante, do Adorno, a respeito do Paul Valéry. A despeito de a teoria estética de Valéry ser considerada idealista ou quimérica, Adorno mostra o caráter intrinsecamente social de sua rebelião contra o esfacelamento da arte. O artista que se torna aquilo que faz, a hipostasia da superação da divisão (cisão) social do trabalho pelo apego completamente anacrônico para o nosso tempo a uma atividade que se embriague do cheiro de tinta, dos utensílios para cada fragmento. A entrega e a teimosia neurótica em não aceitar - e legitimar - os padrões de redução artística conteriam o germe da ação como IDÉIA que busca uma sociedade mais justa, porque hipostasia em um ser humano livre - livre no cárcere de sua atividade - a ação do agir de acordo com a própria extensão das capacidades MATERIAIS.

    Fiquei extremamente tocado pelo desenvolvimento dessa dialética, cara, e súbito me veio uma mordacidade cínica: de fato, Adorno tinha que morrer em 1969.

    Será que essa entrega e essa fusão que faz o criador se confundir com a criação pode germinar em contextos históricos diversos. Mera aposta. Mas, velho, talvez o artista tenha uma resposta para si mesmo que não queira confessar a ninguém. Por que será que Dostoiévski continuou a escrever após o degredo siberiano? Deixar de fazer essa pergunta pode implicar a própria vivência.

    Não consigo responder à sua pergunta, meu irmão, ao menos não consigo diluir o veio crítico que você percebeu - nem de longe acho que cabe a mim única e exclusivamente fazer tal coisa.

    Continuemos a continuar.

    Grande abraço, meu velho, e que os teus descendentes descansem em paz, meu irmão. Guarda as pedras do campo como extensões do teu corpo.

    Flavião

    ResponderExcluir
  13. Se eu disser o quanto me tocou, vou chegar ao ponto de molhar a lágrima com um sorriso...

    ResponderExcluir
  14. Venho lendo os textos sempre em conjunto com os comentários. Fico feliz ao me deparar com a sensibilidade da galera. E aqui quero lançar uma garrafa ao mar - e não sinto que haja um imponderável tão forte para isso, não: se essas muitas pessoas que vêm participando desse blog puderem constituir um mercado consumidor de arte neste nível, ainda pode haver bastante produção crítica. Sinto um engulho ao utilizar termos mercadológicos junto à arte, mas não podemos ser ingênuos e dissociar o capitalismo da literatura - mercado editorial é uma indústria que, para ser melhor elencada, deve ser combatida junto aos seus próprios mecanismos.
    Auschwitz é um tema que, sem dúvida, recebe o Imprimatur da indústria editorial.
    Siga, Bazárov!
    André Cruz, um leitor que não se quer bestializado

    ResponderExcluir
  15. Meu, que fotos são essas? Tô estarrecida! É nessas horas que a gente sente o quanto prefere não ver aquilo que de fato podemos fazer. Fico pensando o quanto isso é ou não covarde. Por que seria? Ainda que eu tenha que viver em sociedade, eu não preciso puxar o gatilho. Se tive oportunidade para estudar - o que pressupõe a oportunidade de me alimentar devidamente -, por que eu preciso lidar com determinadas atividades? Não, não preciso compactuar - em muitos contextos, há a possibilidade de que nos afastemos de setores que lidam com a opressão mais direta. É assim que penso que a minha cumplicidade é mediada - assim como a nossa vida que já não pode sentir o bafejo do vento sem a sua prévia racionalização.
    Ah, Flá Bazárov - engraçado chamar você assim, loirão! Mas então: como é que eu posso pronunciar o nome de Auschwitz em polonês? Fiquei bem curiosa ao ver a primeira foto. E me conta mais: Auschwitz fica perto de qual cidade na Polônia? Você foi direto pra lá ou passou por outros lugares antes? Esteve de fato em Cracóvia com o Sr. Ladislau Wosniak do texto dramático abaixo?
    Um beijão, meu caro Baza! hahahahaha...
    Carol

    ResponderExcluir
  16. Meu, que fotos são essas? Tô estarrecida! É nessas horas que a gente sente o quanto prefere não ver aquilo que de fato podemos fazer. Fico pensando o quanto isso é ou não covarde. Por que seria? Ainda que eu tenha que viver em sociedade, eu não preciso puxar o gatilho. Se tive oportunidade para estudar - o que pressupõe a oportunidade de me alimentar devidamente -, por que eu preciso lidar com determinadas atividades? Não, não preciso compactuar - em muitos contextos, há a possibilidade de que nos afastemos de setores que lidam com a opressão mais direta. É assim que penso que a minha cumplicidade é mediada - assim como a nossa vida que já não pode sentir o bafejo do vento sem a sua prévia racionalização.
    Ah, Flá Bazárov - engraçado chamar você assim, loirão! Mas então: como é que eu posso pronunciar o nome de Auschwitz em polonês? Fiquei bem curiosa ao ver a primeira foto. E me conta mais: Auschwitz fica perto de qual cidade na Polônia? Você foi direto pra lá ou passou por outros lugares antes? Esteve de fato em Cracóvia com o Sr. Ladislau Wosniak do texto dramático abaixo?
    Um beijão, meu caro Baza! hahahahaha...
    Carol

    ResponderExcluir
  17. Carol,

    Sinto algo parecido com o que você sente. Ainda que correndo muito risco em uma forma de desenvolvimento social como a nossa, muitas das minhas decisões de vida foram tomadas levando em consideração as minhas aptidões e a minha completa abjeção a querer puxar o gatilho.

    Os poloneses têm repulsa em dizer Auschwitz - dizem ÓCHVINTCHIM. Auschwitz fica a 1 hora e meia de trem, aproximadamente, de Cracóvia. Eu cheguei a Cracóvia tendo passado previamente por Varsóvia - que fica a umas 4, 5 horas de trem de Cracóvia.

    O Sr. Ladislau Wosniak é mais real que cada um de nossos desejos.

    Beijos, minha linda, hoje eu te pedi recheada de chocolate, Carolina!

    Bazárov

    ResponderExcluir
  18. Me senti presa sob os ossos suplicantes daquele homem estilhaçado!

    ResponderExcluir
  19. Alguém disse que se sentiu presa sob os ossos suplicantes do homem estilhaçados. Pois eu digo o seguinte: muitas às vezes, chego a sentir inveja do último suspiro que, ao fim e ao cabo, nos redime. A sobrevivência como que tenta ludibriar esse sentimento de querer dar repelões no nada, mas o abandono à própria vida já não traz conforto algum. Me sinto assim muitas vezes. Me sinto? Compartilhamos não o sorriso, mas a dor. Seu antidepressivo já tem quantos miligramas?

    ResponderExcluir
  20. Tétrico, tétrico... Será que a vida sem sentido precisa do sentido da perseguição pra nos sentirmos vivos? Ter algo e alguém de que e de quem se possa fugir, eis o sucedâneo de Deus?
    Um paranóico

    ResponderExcluir
  21. Sabe, Bazárov, isto aqui está parecendo uma igreja das lamentações e lamúrias. Quanta dor pessoal e especificamente burguesa travestida de "desolação universal"... Não que para ser feliz baste capitular ao mundo das mercadorias e do poder. Ou seja, à barbárie. Nem uma coisa nem outra. No entanto, estou longe de me filiar ao tom de desalento e exasperação inexorável que toma conta de todos aqui. Aliás, todos muito bem educados e provavelmente contando com recursos para pagar seus sacerdotes modernos pessoais, os analistas. Queiramos ou não, o sentido existe. O pior cego é aquele que não quer ver. E que me provem o contrário. Abraços.

    ResponderExcluir
  22. E o apóstolo Tomé, sem ter o que afirmar no púlpito vazio do credo negativo, acaba por elevar a própria Negatividade à ídolo contumaz: "e que me provem o contrário". Queiramos ou não, o sentido existe - existe, existe e existe. A bola é minha, e se eu não jogo, ninguém joga. O pior cego é aquele que só quer ver. E não mexam com o Leitmotiv da minha vida, por favor!
    Baza, meu velho, acendamos uma vela!
    Escuta, meu, tô pra te ligar pra saber onde você vai ver o jogo do Brasil com a Argentina. Empanadas? Aquele abraço, Juca

    ResponderExcluir
  23. Olha só. Não gosto muito de me expor, não, que dirá falar sobre meus familiares. Mas acho que o meu relato pode ter algum sentido depois de eu ter visto - e vivido - as fotos mais acima. Meu bisavô sobreviveu a um campo de concentração. Ele era forte, descomunalmente forte. Dava medo de olhar pra ele. Meu bisa tinha uma coisa de apego às suas atividades - uma coisa que já não se encontra. Ele fazia com um sorriso de canto de boca, tinha apego em encher o carrinho de terra. Terminar de encher era outra coisa. Os nazistas logo viram que tinham muito a lucrar com o velho. Mas ele não se resignava. Os próprios guardas tinham medo dele. E estavam armados! Aqueles braços pareciam rodas dentadas. Mas não há força que não sucumba a uma pilha de corpos inertes. E meu bisa foi assistindo à morte de cada um de seus amigos contingentes. Muitos desistiram. Se suicidaram? Que injustiça dizer que tiraram a própria vida! Meu bisa tinha muita dificuldade em se perdoar por aquilo. Muita! A gente sempre dizia: dá graças a Deus, vô, você tá aqui, tá vivo, tá bem. Ele invariavelmente mudava de assunto. Mas um dia eu quis saber sobre aquela revolta - ele não tinha sido ungido? Meu vô me chamou de canto, pediu pra eu agüentar calada, e começou a apertar minha mão. A apertar, a apertar e a apertar. Urrava de dor, mas não pude vomitar meu grito. Daí ele me soltou. Limpou minha lágrima. Foi isso que você sentiu, vô? Ele quase rebentou o braço da cadeira. Não! Foi isso que eles, todos eles, foi isso que eles sentiram!
    Em vários momentos da minha vida, o não dito pelo dito do meu vô foi se transformando. O que é que aquilo pode me dizer agora? Já não diz a mesma coisa de ontem. Eu não sei.
    Vô, saudade, vô. Da tua Carlinha.

    ResponderExcluir
  24. Velho, o que que é aquela foto da mão inerte costurando a Estrela de Davi?

    Costurando?

    Não!

    Suturando!

    O uniforme reveste a pele que vai sendo sugada até espírito percolado aos ossos.

    Escuta, velho, você foi ao campo em que o trem desembarcava os mortos-vivos já na "gargântula" de Auschwitz?

    Abraço, Zé Turguêniev,

    Otávio

    ResponderExcluir
  25. Vou tentar responder a vários pontos que foram colocados aqui nos comentários.

    Então, Otávio, o trem desemboca já dentro de Auschwitz II - que fica a uns 3 quilômetros de Auschwitz I. Meu, o segundo campo é gigantesco, velho, e aquela paisagem nevada de janeiro dava um toque singelo a toda aquela brutalidade.

    Carla, minha querida, a história do teu bisavô é completamente paradigmática. E aqui vai uma promessa - você pode me cobrar, porque ela vai se concretizar: a tua história logo virá a lume aqui no Subsolo das Memórias. Só não a posto como próximo texto, Carlinha, porque já tinha em mente uma outra seqüência. Mas tem um lance no teu escrito que me lembra O Narrador, do Benjamin: quando o rei se vê prostrado pelo inimigo, o conquistador faz com que, agora, o antigo soberano veja desfilar diante de seu corpo prostrado as mais importantes figuras do antigo poder. E passa a mãe e passa a esposa e passa o filho, mas nada. O cara permanece hirto. Coisa incrível. De repente, num átimo, me passa o escravo do antigo soberano. E eis que o cara surta de vez, chega mesmo a engasgar com os gritos. Carlinha, o que teve de figura querendo unilateralizar a leitura de tal imagem poética! Não tá escrito, ou melhor, tá muito bem escrito, sim. Mas o ponto é que a esfericidade do signo poético se mantém. E foi exatamente isso que senti no teu texto! Pode me cobrar, moça!

    "Se eu disser o quanto me tocou, vou chegar ao ponto de molhar a lágrima com um sorriso". Poxa, vida, isso é poesia engatilhada! Por que você não colocou seu nome, Sr. ou Sra. Anônimo(a)?

    Grande abraço a todos,

    Bazárov

    ResponderExcluir
  26. Eu fico pensando sobre o desvario completo de uma sociedade cujo centro de gravidade pende inexoravelmente para o Führer. Um assunto que me obseda. Já foram várias as teorias com que tive contato. Gostei muito do livro clássico do Wilhelm Reich - Psicologia de Massas do Fascismo. A Dialética do Esclarecimento faz dois aportes - Marx e Freud. Hannah Arend traça a arqueologia do anti-semitismo. Mas eu fico pensando uma coisa... Todas essas teorias têm um pressuposto do qual partem - o sentido próprio à história. Mas é no mínimo instigante a possibilidade de a gente ler a história como uma retomada constante de conflitos redivivos. Por isso eu vivo me perguntando: por que a Política de Aristóteles ainda nos diz tanto? Por que Maquiavel não poderia deixar de ser mais atual? Esses estudos de contextualização histórica parecem denegar a característica de brutalidade própria ao ser humano. Ser humano? Eis outra noção recente, recente. O algoz só foi sublimado ao longo dos tempos, mas a história continuará a se curvar, de tempos em tempos, em face de um Leviatã. Tanto melhor se ele for carismático; tanto melhor se o inimigo não estiver no próprio seio - ao menos vamos morrer cuspindo sobre o outro.
    Clausewitz

    ResponderExcluir
  27. Resposta ao Sr. Clausewitz - Parte I

    Olha, Sr. Clausewitz, essa tua colocação é bem instigante, mesmo. Há momentos e situações em que consideramos real a possibilidade de transcendência histórica. Em outros, o cheiro de náusea próprio à repetição nos revela o motivo sub-reptício pelo qual o ardil de Ulisses ainda tem muito a nos dizer.

    Agora, tem um exercício interessante que dá pra ser feito com o próprio transcorrer das suas idéias - se você não for sectário o bastante para conseguir observar o movimento do idêntico no que parece diferente.

    Por que o transcorrer da idade tende a (de)formar o curso das idéias? Você pensa da mesma forma que pensava há alguns anos? E veja: não tô querendo considerar o aspecto crucial da maior ou menor aceitação do existente. Tô justamente observando o quanto uma vivência multifacetada pode colocar em xeque muitos conceitos gélidos.

    Há idéias que não ganham corpo - parecem pairar sem corpo. Aliás, um chiste filosófico já dizia que Plotino tinha uma vergonha enorme em ter que lidar com o fato-mácula de ter um corpo. Essas idéias parecem sempre redivivas. Mas há idéias refrescadas pelo calor das vivências - ou melhor, vivências que brotam imagéticas, idéias corpóreas, sensuais, intumescidas, atraentes, infiéis, ardilosas, risonhas, desleais. Idéias? Fugazes experiências.

    Eu venho pensando em uma forma de apreender o desenvolvimento vivo das idéias em cada autor. Você começa a observar não apenas o transcurso da pena, mas, fundamentalmente, a forma pela qual o olhar foi sendo enformado. Cada texto pode ser um hieróglifo da malícia e da intensidade da captação do autor. Isso não quer dizer uma imediata correlação entre vida e obra, mas, se "eu sou eu e minhas circunstâncias", a gama de personagens outros deve fluir por uma manancial vária.

    Como escritor, procuro entretecer o outro desde dentro. Tanto melhor se puder atirar várias e várias iscas - e o outro vai mordendo e se desvelando.

    ResponderExcluir
  28. Resposta ao Sr. Clausewitz - Parte II

    Você provoca de um lado e, já sem surpresa, percebe que a resposta vai ser X, e não Y. E por aí vai. Isso indica que o outro é previsível? Provavelmente. Mas por quê? Pelo fato de sua natureza ser imutável? Eu te chocaria, Sr. Clausewitz, se dissesse que me interessam mais as formas diversas de pergunta? Imutável ou contingente, o fato é que pode ser instigante. E mais: pode mostrar que não foi suficientemente irrigada pela vida. Uma vida de estufa, a abstração como o sucedâneo palatável de uma completa inibição para a motricidade e a falta de sistematicidade própria a trajetórias que flertam com o imponderável.

    Você conversa com as pessoas, Sr. Clausewitz, e vê o germe da discórdia, o sorriso próprio ao abraço, a gama de narrativas rasgada por anseios partilhados e partidos. Você vê que o subterfúgio não depende de uma conjunção adversativa, MAS de um senão com o canto da boca, um dar de ombros, um repelão a largos beiços.

    Quando menos espera, a idéia anda do teu lado. Toma chá com você, te faz rijo, tem nome, jeito de arfar, conformação anatômica do quadril.

    Aristóteles e Maquiavel ainda têm a nos dizer? Faria uma pergunta em cima - de lado e confortavelmente embaixo - da tua pergunta: para quem? Ou antes: quem são os possíveis agentes que desdobram concretamente as idéias, dando-lhes sobrevida? Não a estufa hermeticamente enclausurada em si mesma, mas o assovio do vento que deve necessariamente rasgar a pele de alguém. Ainda que a mão não deixe de calçar a luva.

    Por fim, você bem deve ter percebido que procuro romancear aquilo que me chega. Atavismo risonho, meu caro. Não o sim ou o não, mas o sim pelo não, o não assim, pois afirmo ser aquele que tudo nega.

    Grande abraço, continue pelas galerias deste subsolo,

    Bazárov

    ResponderExcluir
  29. A foto das campas crematórias me encarou com dois olhos inusitados.

    As portinholas como pálpebras, a íris vermelha irritadiça do gás, mas a menina dos olhos silenciou na profundidade enegrecida que convida impassivelmente à desintegração.

    ResponderExcluir
  30. Escuta, Bazárov, devo considerar a foto que introduz o teu blog como parte desta exposição "nazista"?
    Cadrão

    ResponderExcluir
  31. Resposta dupla:

    1) Juca, meu velho, vamos deixar as Empanadas pra comemorar logo, logo. À Casa das Rosas, um brinde!

    2) Cadrão, bom ter você de novo por aqui. Diria para você o seguinte: enforque-se na corda da liberdade.

    Valeu, pessoal. Acho que o Brasil ganha pelos flancos de contra-ataque que a Argentina vai abrir. Se bem que não será interessante ter a Argentina de fora, né?!

    Grande abraço,

    Bazárov

    ResponderExcluir
  32. Flavião Baza, me responde essa: as russas, as polonesas ou as brasileiras?
    Abraço do Felipão
    P.S.: Não vale dizer que um harém seria melhor!

    ResponderExcluir
  33. Felipão, meu velho, vou te dizer: páreo duro, camarada. As russas de Moscou me pareceram mais heterogêneas. Em sua maioria brancas, mas sempre numa tonalidade diversa. Loiras, morenas, ruivas. Muitas russas da região siberiana. As russas são lindíssimas. Muito vaidosas - a Rússia talvez seja mais machista que o Brasil. O patriarcado faz com que muitas sejam chamadas de "casadoiras". Costumes muito diferentes, Felipão. Em momentos cruciais, velho, você acaba percebendo como a tua cadência é brasileira, meu irmão. 11 entre 10 russas dizem que se sabem bonitas - o espírito de corpo é fortíssimo. Nesse 1 ano por lá, velho, a gente vai se adaptando. Vão-se os anéis para não ficarmos só nos dedos.

    As polonesas também me mostraram o espírito corporativo das Rússias. Apesar de lindas, não acho que superam as eslavas da Mãe Rússia, não. Agora, uma coisa deu pra notar na lata: carinho efetivo não é muito com elas, não. Aliás, tratar bem a mulher pode diminuir o teu conceito. Pega logo uma clava e parte pra cima, hehehehe.

    As brasileiras têm essa interação, cara. Ou é a gente que já tá nessa ciranda e só nota por contraste. Se bem que eu te digo, bicho: estranhei quando voltei pra cá. Já tava me russificando, hahahaha.

    Mas te respondo na boa: se a gente conseguisse conjugar os costumes brasileiros com a mulher russa, meu amigo! Não ia ser a chapa quente, brother, mas o próprio forno siderúrgico!

    Não fuji da raia da tua pergunta, não, Felipão. E segura a onda do teu time amanhã, mermão, que vocês bambis não tão com essa bola toda, não. O Vágner Love já fez gol hoje.

    Não tem jeito, da latinidade a gente não escapa.

    Grande abraço,

    Bazárov

    ResponderExcluir
  34. Bazárov, adoro seu blog. Nos traz um sopro revigorante, o estranhamento do ao-lado-que-não-eu, a não-identificação imediata que só a verdadeira arte pode proporcionar. Continue assim.

    ResponderExcluir
  35. Olá, Dr. Olavo!

    Que grande prazer tê-lo entre os leitores do Subsolo das Memórias. Me lembro de um debate na São Francisco, Dr. Olavo, em que o senhor desancou o Dr. Allaôr Café Alves - marxista profano que procurava doutrinar os incautos estudantes.

    Os conceitos que o senhor desenvolve transcendem o mero sociologismo artístico - chegam ao cerne inexpugnável do fulcro do cerne :-)

    Continue sempre pelo Subsolo das Memórias, Dr. Olavo! E não deixe que bolas sorrateiras passem pelas costas de seu carvalho!

    Abraços imediatos da sim-identificação do ao-lado-que-eu,

    Bazárov

    ResponderExcluir
  36. Bazárov Flavião, pensei em uma discussão sobre aquela questão da ironia de que falamos há alguns meses.
    No curso do Oehler, a gente tentou vincular a labilidade da ironia à questão de classe. Um desvelamento de classe, na verdade - e daí a ironia do Baudelaire, por exemplo, teria um posicionamento político claro e definido. A despeito das contradições próprias ao posicionamento do poeta maudito, poderíamos extrair de seus escritos um libelo político a favor dos oprimidos por meio da deformação irônica de um discurso que aparenta estar filiado ao seu contrário, isto é, aos burgueses consumidores de literatura. Agora, cara, quando vejo esse portal de Auschwitz, Flavião, fico pensando em como a ironia pode ser passível de uma utilização, por sua vez, irônica. A história pode desancar a dialética de seu caráter superador - a síntese torna-se retroativa. A deformação irônica se reflete nos rostos transtornados. Já não poderíamos falar em vinculação de classe pela redução estrutural - a não ser que quiséssemos fazer uma aposta que já não desponta verossímil como à época de Baudelaire...

    ResponderExcluir
  37. ... continuando.

    O Benjamin fala da empatia com a mercadoria - a ironia retroativa seria tragada pelo magnetismo da reificação. Você não acha que o movimento diz respeito não aos portadores das relações sociais - burgueses ou trabalhadores, no caso -, mas à lógica precípua que os equipara na medida em que os faz contrapostos? A ironia mimetizaria o desdobramento da mercadoria.
    Bom, tô desenvolvendo o trabalho pra matéria do Jorge e da Marta nesse sentido. Aliás, dia 15 taí. Arbeit wird uns frei machen!
    Grande abraço,
    Cláudio Duarte

    ResponderExcluir
  38. Fala, Claudião!

    Velho, eis o X (e o alfa e o ômega) da questão. O Oehler - aluno do Adorno, lembremos - fica mais naquela dinâmica imanente da luta de classes. Luta supostamente transcendente em relação à estrutura social própria ao capitalismo. A história já nos mostrou em Paulinho da Força o ícone da contestação antípoda ao Capital, não?

    Você deve lembrar que o Oehler citou aquele programa de TV, o Cabaré Politique, como um espaço de debate no próprio bojo da Indústria Cultural. Ué, velho, não tem público de esquerda? Os caras não anseiam por uma mercadoria mais dissonante? Tudo o que é sólido desmancha no ar: o pensamento crítico deve inocular seu valor intrínseco na esteira da lógica da mercadoria. Mais uma empresa solvente. Discurso e roupagem próprios. Como pode o pensamento crítico transcender a realidade existente, à qual ele deve sua própria existência? A empatia com a mercadoria pode degenerar em simpatia pelo abismo - em esterilização publicitária. A democracia relativista esfacela a luta contra o inimigo comum - afinal, percorridas as cirandas de produção e circulação (apaniguados a reboque), todos podemos nos expressar. Sentimos uma lufada revigorante de ativismo retórico, e ponto. Se quisermos buscar o positivo em hinos imediatos (panfletos) ou em contextos históricos anteriores (auto-engano), poderemos até mesmo abrir nossas próprias casas editoriais :-)

    O trabalho nos libertará, certamente - queiramos ou não. Aliás, malandro é o macaco. Falasse o Zé Banana, Claudião, e também teria que pegar no batente. Macaquiavélico.

    Grande abraço,

    Bazárov

    ResponderExcluir
  39. ja em Moscovo, sempre esclamei o teu lado binoculo. estas imagens sao retratos visualizados pela alma e para alma...

    ResponderExcluir
  40. Grande Osvaldo!

    Que saudade de você, meu velho! Como é que você tá, rapaz? Manda um grande abraço pro Britão, pro Índio, pra todo mundo! Espero que vocês estejam bem nessa Moscou que tanto me despertou. E olha só, meu velho: logo terei novidades para lhes contar.

    Estejam sempre pelo Subsolo das Memórias.

    Grande abraço,

    Flavião

    P.S.: Osvaldão, meu velho, diga pro Brito que ele é ACABOU! hahahahaha...

    ResponderExcluir
  41. Bazárov, a Fran me falou a respeito de você - e do seu blog. Vim conferir. E quero muito te dizer uma coisa. Você é um cara inquieto. Inquieto e contraditório. Não acho que você simplesmente lance mão da ironia. A ironia é o teu olhar. A ironia implica distanciamento - e proximidade maliciosa. Será que você vive assim? Um pouco perto, um pouco longe? Você não parece ter um território próprio - se o tem, está sempre na fronteira. Tua imaginação parece viver. Você quer fazer da tua vida uma história? Uma mulher talvez queira saber se essa história comporta a leitora. A leitora que interage. Essa vida que se alimenta das circunstâncias terá parada algum dia? A literatura sempre provocou em mim o pertencimento. Você parece não querer pertencer. Essas minhas impressões te afagam? "Você" disse a Ladislau Wosniak que procura procurar - estou em busca pelo bosque. O que é que a quietude te traz? É isso que me intriga. Um beijo, Viandante, da Sandra

    ResponderExcluir
  42. Sandra, muito prazer - se bem que você já me conhece por demais.

    Bom, os percalços por que já passei vêm me mostrando que determinar aquilo que vai - ou deve - acontecer só atrapalha o olhar. Tenho expectativa quanto a uma "leitora"? Se ela também se propuser a "escrever", Sandra, por que não?

    A quietude me traz o sucedâneo do estado mais impassível que todos vamos encontrar. Não gosto de equilíbrios. Não gosto de sistemas nem de resoluções ideais.

    Terei parada algum dia? Não para mim - já não vou existir quando parar.

    Suas palavras me fazem sentir a incorporação da poética. Você me quer nu. Venha.

    Beijos ainda mais inquietos,

    Flá

    ResponderExcluir
  43. Fui pra Auschwitz já faz um tempo. Ver essas fotos traz o gosto insalubre diretamente pra boca. A gente é atraído pra esse tipo de situação meramente por causa do fator histórico? Não sei. Mas eu vejo que uma batida de trânsito pode desencadear um pogrom em miniatura. Se alguém esbarra em mim onde quer que seja, vou ficar esperando pelo pedido de desculpas - se isso não acontecer, o que é que pode acontecer? De onde vem esse contingente de ódio? E a lágrima: a senhorinha da foto lembra um pouco uma pessoa muito querida pra mim.

    ResponderExcluir
  44. Bazárov,
    O Impossible is Nothing da Adidas foi acidamente colocado em meio à tentativa de fuga daquela mão entre as grades. Seria uma ironia corrosiva de fato, cara, se não tivéssemos que nos deparar com o fato de que também Lênin viu o realismo socialista virar propaganda da Coca-Cola.
    Belas fotos, velho! Continue com essa tua polivalência por aqui.
    Um abraço, Dênis

    ResponderExcluir