Antes de içar a lâmina, o algoz suplica ao condenado: "Você me perdoa?"

I want you for U.S. Army

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Todo encontro marcado é casual

Meus amigos,


A palavra e a imagem, a palavra imaginada, imaginação, imagem in ação.

TODO ENCONTRO MARCADO É CASUAL - PARTE I


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TODO ENCONTRO MARCADO É CASUAL - PARTE II


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TODO ENCONTRO MARCADO É CASUAL - PARTE III

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TODO ENCONTRO MARCADO É CASUAL - PARTE FINAl


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Grande abraço a todos,


Bazárov

33 comentários:

  1. Bazárov,
    Não sei se o encontro de fato se deu, mas a tua voz me eriçou toda - um rasgo pela espinha que me fez ver minha própria tatuagem como uma cicatriz.
    Sensacional! Tô muito tocada - e espero que o Sr. Ladislau um dia possa encontrar paz. Nem todo calabouço consegue sair do homem...
    Sensacional!
    Soninha

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  2. Tétrico, eletrizante, brilhantemente labiríntico! Que mais poderia dizer além de me calar - além de ser amordaçada!
    Vai, Bazárov, vai ser gauche na vida.
    Se me levasse nessas veredas... Cláudia!

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  3. Bazárov, meu caro,
    Não o conheço, mas já me sentia próximo de você desde que há mais de um ano você começou a me enviar seus textos - naquela época, lá de Moscou.
    Os nossos tempos diluíram a voz do narrador. A Grécia ainda podia afagar os espectadores com o auscultar da voz a entretecer histórias. Hoje, as palavras impressas silenciam o diálogo. A gente fica imaginando se o escritor consegue de fato ter a mesma intensidade que transmite aos seus escritos.
    Que dizer depois de te ler, Bazárov? Não: que dizer depois de te ouvir? A minha sombra me trouxe angústia - e se fosse Ladislau?
    38, 37... A subtração que nos subtrai!
    Todo o homem deve ter um lugar para onde possa voltar. O eterno retorno. Todo o lugar para onde se possa voltar deve ter um homem. Não retornamos.
    Continue firme, Bazárov. Andei lendo comentários por este blog, cara, e digo o seguinte, na boa: que se fodam os partidários de qualquer estirpe. Você sente uma felicidade autóctone, é isso que eu vejo. Vão te apontar o dedo, vão te acusar - "mas de onde vem o sentido pra vida que esse cara ainda traz consigo?" Você transpira isso pela tua voz, cara. Enquanto alguns verão um segredo resguardado, você já vê tua vida em ato!
    Siga adiante! Parabéns, cara! Teu mais novo amigo virtual, Almir

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  4. Bazárov é o caralho! hahahaaha... Flavião, parabéns, velho! Tá do caralho, bicho! Ainda não consegui manter a distância devida pra poder comentar com mais propriedade.

    Distância devida? Só se for a distância arfante do coldre a resvalar a têmpora. A tua voz rompe o hímen da distância estética entre autor e leitor, cara. Você nos tira do leito da leitura, mete o dedo na nossa cara! Nossa? Do nosso tempo.

    Quem conseguir desvendar para onde foi Ladislau, a meu ver, poderá suportar o látego e o sorriso despontará entre nuvens pela pele sulcada. É assim que eu vejo, cara - é assim que ainda me deixam ver.

    Bicho, se você ficar uma semana sem escrever por aqui, rapaz, me transformo em Herr Heimweh!

    Grande abraço, Flávio Ricardo Bazárovitch, manda bala, irmão!

    Saulão

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  5. Que interessa se Ladislau existiu ou não? O improvável não é impossível, e Auschwitz é a maior prova do fantástico mundano. O maravilhoso, o inverossímil, se transmuta no horrível, na face transtornada dos rostos impassíveis após o banho de gás.
    Quem não seria levado a Auschwitz depois de ouvir Ladislau? Quem não ouviria Ladislau depois de ser tragado em Auschwitz? O ressentimento decanta a completa inexistência da pureza em nossos sentimentos. O ressentimento dá sentido à vida no mundo em que Deus não tem mais nada a noz dizer. A vingança permeia a imaginação, ela lança a vida de encontro ao alvo - e o problema, como Ladislau pôde descobrir, não é imaginar a vingança, mas executá-la. Ao invés de sentirmos um grande regozijo, nos vem o grande vazio do sentido esvaído. Você mesmo já citou Nietzsche em outro momento, Bazárov, quando desvelou André Matias: "quem vive para derrotar o inimigo precisa do oponente sempre vivo". O ódio precisa adiar a sua consumação - só assim ele nos consome e nos dá (ao mesmo tempo em que nos toma) o combustível para viver.
    Seu Subsolo das Memórias, Bazárov, nos traz o homem do subsolo, o subsolo do homem.
    Bruno Siqueira, 27-08-09

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  6. Flá Bazárov,
    Quero comentar o teu texto falado - ou a tua fala textual - por um prisma que acho que vai destoar um pouco daquilo que vejo a galera postando por aqui. Quero me referir aos teus elementos descritivos, cara. Meu, já não há descrição exterior no que você coloca. O cenário já vira elemento motriz da narrativa, a gente já não sabe se a expressão do exterior está desvinculada da impressão angustiada do que as tuas personagens vivem. Personagens? Você é que tá posto ali. Não acredito que você possa viver algo diferente do que escreve - ainda que essa vida seja tão desértica. Você fala das rachados de vento que assoviam e fustigam, das escadas "gargântulas" que nos descem - NOS ENGOLEM -, Flá, e, em determinado momento, quando a garçonete gostosa já entregara os copos, quando os conhaques já te eriçara, quando Ladislau revela o cárcere da memória, você sintetiza o nosso vazio ao focalizar a câmera do teu foco narrativo em COPOS VAZIOS. Muito bom! Agora, eu quase quis te matar pelo teu sadismo depois que o Ladislau disse que foi obrigado a comer um rato pelo nazista Herr Heimweh. O que é que você interpõe? Flautista de Hamelin. O nosso riso acho que acaba mimetizando os movimentos espasmódicos dos asfixiados...
    Flá Bazárov, a Cris aqui quer ver o subsolo emergir sempre! Mil beijos!

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  7. Flavião,
    Quando o corpo já não tem remédio a não ser submeter-se, a tua imaginação não aceita senão o NÃO! Não, não e não!
    Vá em frente, meu velho!
    Henricão

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  8. Meu, com um material cinematográfico bacana, a gente põe esse filme literário pra foder!
    Doca: doca_kino@yahoo.com.br

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  9. Bazárov,
    Você costurou um desenlace pra vingança que faz naufragar algoz e sentenciado irremediavelmente juntos! Fantástico! Será que você mesmo já não sentiu vontade disso? O texto não só tem alma - alma falada -, mas carne!
    Abraço,
    Cássio Felipe

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  10. Todo encontro marcado é casual, niilismo que rasga.

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  11. Todo encontro marcado rasga, casual niilismo.

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  12. Acho que, em menor escala, cada um de nós guarda um Ladislau Wosniak dentro de si. A vida que poderia ter sido, e não foi. Quando ela pode ser, já não conseguimos integrá-la - a caverna não guarda só um mito, mas o medo. Reclamamos da segunda-feira, mas o sábado dominga e nos dá tédio. Talvez esse seja um dos mecanismos de captação da violência. Hitler pôde representar a somatória de cada vida esmigalhada em seu corpo de Leviatã. O ódio contra o outro que não eu mesmo pôde ser congregado na figura que vaticinava pela grande Alemanha - um pedaço de cada um. Minha vida será ainda pior, vou perder minha perna e meus olhos na guerra, mas haverá o mínimo de imponderável, a trincheira ao menos tem cheiro, a mesa do escritório é asséptica. No mundo sem Deus - mas que não soube se orientar sem a fantasia divina -, o ódio acaba por fornecer o sentido. Mas não, não, eu sou pacifista, eu não sou Ladislau Wosniak. Nâo? Espere que algum carro bata na sua traseira; espere que alguém mexa com a sua mulher; espere que alguém olhe pro seu rosto por mais de 2 segundos; espere que haja algum outro espoliado bem ao seu lado, que toque o cárcere do teu corpo... É, Ladislau, de fato você nos traz o subsolo do homem!
    Bazárov, você é um dostoievskiano em quem passo a apostar minhas fichas!
    Grande abraço de mais um cínico que te lê,
    Guilherme Fonseca, também desconhecido como ninguém.

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  13. Rapaz, a tua cadência interpretativa me embalou! Um dia quero te ver contracenando numa adaptação dum texto teu pro teatro!
    Haroldo

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  14. Bazárov procura procurar... Me lembro do homem ridículo a dizer que a vida consiste não propriamente na conquista de um objetivo, mas em sua busca - o 2 + 2 mais do que o 4 -, pois o alcance, a plenitude, beiram a impassibilidade da morte. Colombo foi feliz ao máximo no momento em que vislumbrou a América, e não quando nela aportou. Mas esses eram tempos em que a busca era positiva. Hoje, que podemos conquistar além do que nos é dado? Continue a procurar, Bazárov, que a tua escrita continue a escrever para que o belo em ruínas ainda nos dê uma lufada de ar redivivo. O Antônio te agradece.

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  15. "Bitte, nehmen Sie das Platz".
    Sente-se, tome o seu lugar, conquiste-o!
    Se você quer uma vida, vá buscá-la. Eu leio Ladislau Wosniak como um brado! Júlia

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  16. "O sangue de Herr Heimweh não me restitui o vinho".
    Afasta de mim este cálice!
    Cale-se: in vino veritas.
    Um apóstolo

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  17. "Nós ficamos.
    Quem?
    Os despojos".
    Despojos ao mar.
    Mar de despojos.

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  18. Sabe o que é mais impressionante? As possibilidades pruma vida deliberada são tão exíguas e contingentes, que o choque negativo, a tangência, acaba fornecendo a contrapartida para aquilo que não conseguimos viver. Um amigo uma vez quase morreu numa escapadela fortuita com uma puta. Ele ama a namorada, é uma coisa intensa. Mas me dizia que não conseguia suportar a previsibilidade. Pois deu que além dar, a puta quis extorquir grana, e chega cafetão, coisa de louco. Colocam uma faca no pescoço do figura. Pra me contar essa história, o cara só pôde sair ileso. Mas a questão não é ter saído ileso. O ponto é que o prazer veio justamente com o coração martelando o esterno, a lâmina fria, enferrujada e rente roçando a barba por fazer o limite, e aquele barulhinho que depois fica ressoando. A contrapartida do cartão de ponto é o anti-heroísmo escatológico, a projeção de si próprio para o abismo. O derradeiro ato deliberado e superador é a morte. A morte? Não, o morrer. Ponto de inflexão no qual a dor se transforma em prazer. A sensação de transcender uma barreira estando por ela completamente enquadrado. Um clímax na vida poema-pílula. E aquele momento, por mais que pudesse ter sido o único e o último, vai legitimar quantas e tantas segundas-feiras.
    Ladislau Wosniak é o realismo do imponderável de sexta-feira. O ódio que nos leva à identificação tá logo ali, no estacionamento, guardando o nosso carro, pedindo 1 real pra garantir o patrimônio. Ainda há alguém pior.
    Bazárov, a meu ver, esse teu olhar também tem muito de vingança. E quer saber: acho que isso deve te ajudar, sim. Pelo menos cê não vai ficar tossindo 4 dias seguidos - e já veio até sangue. Ou vem aquela dor no rim (ou fígado), dor de cabeça. A dor no corpo devolve pra gente a vida como negatividade. A gente vence a necessidade, a sobrevivência, cai no tédio. Só sai do tédio pela dor física, da dor existencial pra dor física, a meta é física, e a gente vai perecer. Nem todo mundo vai conseguir engrandecer a própria morte. Mas eu sempre penso que o meu carro também é uma arma. E às vezes, confesso, eu me sinto um imbecil por me apegar ao pouco que eu tenho a perder. Sou tão tacanho que acho que não posso perder sozinho. Decair do meu nível vai me parecer uma perda? Vai, porque eu simplesmente vou ter que perder meu hábito - ir pruma cadeia me adiantaria o quê? A liberdade é que parece mais livre do que é aqui de fora. Bazárov, vou estar por aí, bicho. Não sei se me identifico, não sei se não. Bom, diferença não vai fazer. Mas vamos manter contato:
    Carlos Eduardo (Cadu para os íntimos inexistentes): cadu_cade_nihil@hotmail.com
    Se eu tivesse ímpeto desejava boa sorte...

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  19. Gente,

    É um privilégio tocar o olhar de vocês por escrito.

    Uma coisa que um escritor sempre faz é viver o outro desde dentro. Isso, claro, é muito difícil. Difícil e sempre incompleto. Muitas vezes, repulsivo. Sempre sádico.

    Você procura vencer o próprio sentimento de aversão - ou então sente que pela pena ele pode fluir. Porque ele está em você.

    Me identifico com muito do que foi comentado por aqui - aqui e nos demais textos. Solidão compartilhada - e consentida. Com sentido? Dói.

    Continuem pelo Subsolo das Memórias.

    Bazárov

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  20. Qual é seu nome soldado?

    Luto, meu nome é luto.

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  21. 38, 37 - dexistir.
    Cinematografia fundida à literatura! A palavra e os quadros fílmicos!

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  22. Bazárov, meu velho,
    Expulsar Ladislau pela porta dos fundos equivale a vê-lo rasgar a janela do nosso ânus. A história já acreditou uma vez que Ladislau poderia ser extirpado. Não o foi. E agora, José?

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  23. E agora, José, Maria, Paula, Cristiana, Carlos, Eugênio, Ruth, Josué, Ronaldo, Cleiton, Marcelo, Marcelinho, Fernando e eu, Pedro?

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  24. O ressentimento. Talvez a maior prova de que o tempo cronológico só se aplica à matéria que perece. Quem é que consegue se desvencilhar das roldanas daquilo que já não cicatriza?
    Ladislau só levou às últimas conseqüências aquilo que, por inércia, nós deixamos que nos consuma lentamente, lenta-mente.
    Qual vai ser o próximo, Bazárov?
    Roberto - roberto.oliveira@yahoo.com.br

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  25. Roberto,

    O próximo está ao logo ao lado - da mesma forma que o abstrato amor cristão ao próximo, ao próximo, ao próximo, sempre distante. Retire sua senha.

    Abraço,

    Bazárov

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  26. Topei por acaso com o teu blog, Bazárov. Tava procurando algo relacionado às Memórias do Subsolo, e eis que me aparece o Subsolo das Memórias. Grata surpresa do google.com. Você já abordou a corrupção, a perda de sentido, o cinismo te embala, a perversão, o humano exposto ao limite - não à toa Dostoiévski aparece como referência. Espero de fato que não haja limitações para a sua galeria de temas - essa falta de filiação traz uma constelação pro teu universo. Continue iconoclasta!
    Mário Sérgio, teu mais novo leitor.

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  27. Bazárov,
    Cheguei a seu blog por amigos de amigos - o importante é que cheguei. Todos os textos me chamaram a atenção, mas não foi somente a sua boa literatura que me trouxe à escrita agora.
    Me identifiquei bastante com o André Matias do texto Paralelas que se cruzam bem onde o infinito é corpóreo. Por quê? Porque sou negro, vim de uma família humilde e tive que batalhar muito para chegar aonde cheguei. Meu pai nem ao menos podia imaginar que eu pudesse trabalhar hoje em um escritório de Direito Tributário. Isso tendo passado pela melhor faculdade de Direito do país, a São Francisco. Todos os dias eu sinto como foi contingente ter chegado até aqui. Alguns amigos meus já morreram. Eles seguiram o caminho de Sandro Nascimento. Vários outros estão à espera da morte. E boa parte está presa.
    Lendo o seu texto, eu fiquei pensando: será que esse cara é um playboy que se quer revolucionário? Não sei, não quero rotular você assim. Se bem que, pela sua foto, cara e aparência de pobre você não tem, não. Aliás, é muito improvável que você tenha passado dificuldade, dado o seu nível de expressão e a erudição que demonstra ter. Por isso, durante a leitura dos seus textos - e dos comentários -, Bazárov, eu fiquei intrigado com o seguinte: qual o problema de André Matias ter seguido o caminho que seguiu? Havia outra possibilidade para ele? O que é que ele poderia fazer com a inteligência que desenvolveu? Ser um revolucionário? Lutar por uma outra causa? Mas, Bazárov, onde estão as condições para que uma luta efetivamente aconteça? E o que garante que essa luta será bem sucedida? Não é mais efetivo que tentemos melhorar a situação da forma que nos é possível? O Brasil não melhorou a situação de inclusão nas últimas décadas? As perguntas só fazem multiplicar. Fico pensando: o que é que esse Bazárov faz da vida? Por que esse gosto de bílis na boca? A sorte foi generosa com você, rapaz - será que você sabe o que é sofrimento? Será que sabe o que é passar necessidade? Será que já teve que superar pai e mãe com apenas 14 anos de idade? Será que você teve que ser o pai e a mãe de si mesmo? Deve ser fácil tecer comentários irônicos bem resguardado pelas estruturas de proteção convencionais. Quem teve que lutar desde cedo, como o André Matias, tem um apego à própria trajetória que se confunde, sim, com a luta tautológica pela própria sobrevivência. É muito fácil sentir um amor abstrato pela sociedade quando não se teve que sair à luta desde cedo. Quando não se teve que receber o afago fétido da indiferença alheia como verdadeiro pai a nos ensinar qual é o hálito do mundo. Só assim a conquista tem verdadeiro sabor de superação, quando você sai à caça e percebe que não se denegriu. Quando você percebe que pode preservar os valores que lhe foram caros, ainda que o mundo cobre muito caro a possibilidade de sua aplicação.
    Se hoje sou o que sou, devo isso ao caráter pragmático da minha aceitação do mundo que você tão acidamente ironiza em André Matias.
    Se você disser que há ressentimento no que escrevo, Bazárov, considere isso uma fava contada. Só que, como André Matias, eu não deixo o ressentimento me derrubar - não posso ver a feição do meu verdugo. Só a morte vai me trazer a sentença, já que a morte não tem face. Enquanto isso, pago o convênio de saúde para os meus pais, retribuo a eles tudo o que me deram ou que não puderam dar.
    Quero muito saber o que você tem a me dizer sobre isso.
    Atenciosamente,
    Carlos Alexandre, advogado com orguho e suor

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  28. Caro Bazárov, amo você como um irmão que não tive.

    Um forte abraço.

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  29. Resposta ao nobre comentário datavênico do nobre Dr. Carlos Alexandre - PARTE I

    Nobre Dr. Carlos Alexandre,

    Gostaria de cumprimentar o senhor, Dr., pela franqueza com que conduziu a sua pena jurídica por estas veredas subalternas da literatura. Espero fazer jus - jus literária, e não jurídica, infelizmente - à sua nobre e douta sapiência, Dr. Carlos.

    O senhor corrobora a sua douta trajetória rumo ao bacharelado jurídico por conta do contingente nascimento pauperizado. Dr. Carlos, o senhor, muito mais do que eu, sabe que a cátedra jurídica é talhada pelo corpo daquele a ocupa - ou ocupará.

    O senhor diz que sua jurídica negritude enaltece - poderíamos dizer, sob o resguardo da norma, embranquece - a trajetória altiva e jurídica - pleonasmo próprio ao Direito - rumo a um profícuo escritório de Direito Tributário.

    Talvez o senhor tenha incorrido em um caráter algo atávico ao dizer - ou muito melhor, ao proclamar - que a peleja do cotidiano jurídico não fez com que o senhor conspurcasse - ou muito pior, DENEGRISSE - a sua douta trajetória até o impostor - termo jurídico que denota a vinculação com os impostos - Direito Tributário.

    O senhor refere-se à cor de minha cútis como um fator de pertencimento social. Estou ciente de que datavênia o Direito jamais corroborou a estrutura de exclusão étnico-social na República Federativa do Brasil. E mais: por intermédio da Lei Afonso Arinos, o racismo foi completamente erradicado do país por conta da estrutura jurídica que jamais legitimou quaisquer formas de reprodução social em que a opressão do homem pelo homem - ou em um termo juridicamente mais preciso, a opressão dos sujeitos bilaterais do isonômico contrato social - fosse corroborada pela prática consuetudinária sempre aquém do Ideal Âmbito Jurídico.

    Lembro-me de que o Prof. Dr. Carl Schmitt procurou aperfeiçoar a estrutura da norma jurídica na medida em que conferiu à abstração própria à figura do Direito a pessoalidade do colendo governante Adolf Hitler. Os processos jurídicos improcrastináveis ganharam celeridade e eqüidade de tratamento ao serem vaporizados pela nova pessoalidade do colendo governante Adolf Hitler.

    Peço desculpas datavênicas ao Nobre Leitor Dr. Carlos Alexandre, pelo fato de a minha subalterna atividade literária ter, de alguma forma tipificável pela Lei, aguçado, de alguma forma tipificável pela Lei, o seu sentimento de ressentimento jurídico. Espero doravante receber as petições inicial, mediata e final para o prosseguimento da ação penal e juridicamente moral com vistas à resolução célere e vaporizada do caso-processo-imbróglio em questão pronta para a resposta jurídica.

    Orgulho-me deveras pelo jurídico contato - ainda que proveniente de uma esfera outra que não a nobre e colenda esfera são-franciscana do Direito Natural à vida e à liberdade (jurídicas) -, Dr. Carlos Alexandre, e espero, ainda que não juridicamente, que o desfecho desse escrito peticionado não venha a conspurcar - ou muito pior, DENEGRIR - a potência jurídica de sua figura de Direito Natural à vida e à liberdade (jurídicas).

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  30. Resposta ao nobre comentário datavênico do nobre Dr. Carlos Alexandre - PARTE II

    O pensador Karl Marx - subversivo marginal cujo único mérito foi ter estudado Direito na mesma pátria em cujo seio Carl Schmitt foi gestado -, certa vez, citou William Shakespeare, um autor menor subordinado a pendências jurídicas em seu tempo por conta das furtivas relações adúlteras de suas esposas bígamas e trígamas.

    O pensador marginal em questão, Karl Marx, certa feita e destarte resumiu com bastante acuidade - acuidade devida à colenda formação jurídica - a trajetória de ascensão ou queda social a que todos nós, sujeitos de Direito e, principalmente, de deveres, estamos sujeitos sujeitados:

    "Ser um homem de boa aparência é uma dádiva das circunstâncias, mas saber ler e escrever provém da natureza".

    Felicito-o, Dr. Carlos Alexandre, pela sua importante missão em poupar empresas filantrópicas do indevido recolhimento de impostos junto ao Estado. O dinheiro remanescente da não-coleta de impostos - afora a quantia paga em legais prestações contingentes a funcionários incorruptíveis da fiscalização estatal - será juridicamente remetido a Édens jurídico-fiscais filantrópicos que remeterão o dinheiro a privadas políticas públicas sob a aquiescência jurídica legal e irrestrita.

    Sinto-me honrado deveras com a sua nobre contribuição jurídica em meu modesto site de fundo enegrecido, mas jamais denegrido - ou muito melhor, conspurcado.

    Atenciosa, colenda e juridicamente, Dr. Carlos Alexandre,

    Seu súdito,

    Bazárov

    P.S.: O senhor faz referência à minha subalterna aparência antijurídica, senhor Dr. Carlos Alexandre. Receio declinar de quaisquer propostas jurídicas para intercurso com pares do mesmo sexo - até pelo fato de não ser sacro nem juridicamente permitido em nosso país jurídico. Destarte colendamente, pergunto à sapiência de ébano do Dr. Carlos Alexandre se, por um mero acaso jurídico, o senhor vem a ter irmãs negras? - muito da minha predileção sacro-jurídica.

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  31. O sapientíssimo Dr. Carlos Alexandre poderia ter ido dormir sem essa... Aliás, caro Bazárov, creio que o Dr. Carlos Alexandre faça parte do panteão de suas criações literárias. Genial, expressivo e sintético, como todos os outros personagens. Abraços, você sabe quem.

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  32. Caro Bazárov,
    A ironia deve mesmo ser um oásis para você. Ao invés de lidar com a realidade efetiva, você procura deformar as invectivas alheias como forma de plasmar a própria impotência de resolver os problemas.
    Fui ingênuo ao esperar uma discussão aprofundada - se bem que, pelos comentários que você já fez em outros textos, bem, não houve tamanha ironia. O que aconteceu? Talvez você se ache acima da necessidade de discutir pontos importantes - eis o ranço de quem não precisou nunca se preocupar com o conteúdo da geladeira.
    Agora, você insinua que me embranqueço ao trabalhar para grandes empresas. Duas coisas: você está coberto de razão, a todo o momento me lembram de que não sou um igual. 2. O que você faz também não te prostitui? E você poderia perguntar: por que Direito Tributário? Eu te devolveria: por ser negro eu tenho que aceitar a restrição objetiva? Se eu fosse branco haveria esse questionamento? Será que haveria? Peço mais respeito, Bazárov, e, por favor, responda às minhas colocações.
    Carlos Alexandre - Cadrão, muito antes de ser DR.

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  33. Cadrão,

    Não lancei mão de ironia, não - foi sarcasmo, mesmo. A ironia é mais sub-reptícia e precisa de mais refinamento para ser captada.

    É interessante como, hoje, é preciso justificar qualquer tipo de atividade que não seja instrumento para algo que gere valor. E é trágico o fato de a cicatriz social se transformar em seu contrário: a cooptação em prol da ode ao existente.

    Lamento muito por seus pais, Cadrão. A escravização material os privou da própria humanidade. Espero que você consiga lidar com isso da melhor maneira possível - e falo isso com empatia, sim, ainda que você não acredite. Agora, lamento também pela escravização espiritual. A morte do espírito é ainda mais trágica, Cadrão, porque demonstra a falência objetiva de um projeto histórico.

    Não sei o que levou você ao caminho que seguiu. Pergunto a você de forma aberta: o Direito Tributário lhe fornece algo além da questão material? É curioso que ninguém mais sinta verdadeira vergonha existencial e objetiva por ter que responder a uma pergunta desse tipo.

    Continuemos a continuar, Cadrão.

    Força para os seus pais, cara, e espero que você mesmo possa encontrar-se - que o cortante olhar alheio não tenha que lhe dizer ainda mais...

    Abraço, continue por aqui,

    Bazárov

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