HQ

As seções polonesas da SS e da Gestapo saúdam a Polícia Militar de São Paulo pela atuação eugênica no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos

Subsolo das Memórias

Uma irmã distante da Rua Barão de Itapetininga, nas cercanias do nosso ilhado Teatro Municipal cá em Sampa

Bem-vindos ao Leste Europeu

Com a condição de que você corte esta franja, meu bem...

Tataraneta de Eva
1235ª esposa de Mefistófeles

Oscar de atriz coadjuvante em Matrix

O desejo e suas tristes mediações

A morena em questão sussurra que Nelson Rodrigues costurou seu "Vestido de Noiva" em Cracóvia

Desejo em fila indiana

Impassível

A poesia do hímen

No banco dos réus, a Santa Sé poderia de fato e de direito arrolar o belo como atenuante
(O Sumo Inquisidor compilaria as fotos sacras)

A mão precocemente madura sentencia o rosto ainda tenro ao jugo do tempo

Mandamento do lábio intumescido:
"Mordisquem-me agora!"

Paleta

Cracóvia reedita o Evangelho:
o rei Herodes segura o Messias pequenino antes de lhe rasgar a garganta

Até hoje não se sabe se a suntuosidade arquitetônica da Igreja tinha a intenção de catequizar os olhos para o céu ou fazer com que a pequenez do espectador aceitasse o poder mundano do Papa
Por via das dúvidas, o aforismo de Cristo apazigua o conflito ao prolongar a dúvida:
"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus"

Encouraçado

Minha nuca se ajoelha

Transição cromática

Dedo em riste para o céu

Em sua ambigüidade estrutural, a ironia serve tanto ao servo quanto ao senhor
Por mais que procure deformar o status quo, não é possível esquecer que o irônico sorriso de soslaio tem o bobo da corte como artífice...

Conto gótico

Encouraçado

Paleta

A beleza de Cracóvia desafia o aforismo de Yves Lacoste:
"A arquitetura serve, antes de mais nada, para fazer a guerra"

Sentinela nua

Vamos?

Elegância mediada por 247 zlotys

E ainda ousam acusar os geômetras de abstração!
"Mas onde estão seus triângulos equiláteros?
Quando foi que a natureza concebeu seus quadriláteros ideais?"
Eis a resposta de Cracóvia

A franja como a última barricada contra o desejo

QG das cruzadas

Penumbra medieval

Costas abauladas

"Do Contrato Social"
(Prefácio do Dr. Fausto)

Aqui, no século XV, os cruzados repunham as energias antes de empalar os infiéis

Gargântula

Dizem as boas línguas que Johann Wolfgang, também conhecido como Goethe, esteve reiteradas vezes em Cracóvia para compor sua obra magna

Enviemos Mefistófeles para um estágio em terras paulistanas antes que o diabólico investidor se aventure pelo ramo pizzaiolo

Goethe pagará a conta, não nos preocupemos

Contradição - em termos: dizem as boas línguas que a aristocracia também pode ser austera

Parado em local proibitivamente permissivo, o taxista me oferece uma carona de volta para Varsóvia por módicos 875 zlotys

General Inverno

Where the rainbow ends

Da aristocracia para a burguesia que, antes da explosão da sociedade de massas, ainda precisava do atavismo do belo para viabilizar seus armazéns de secos e molhados

Nunca um joelho foi tão fálico

Cracóvia ecumênica

Encontro dialético:
Maio e anti-maio de 68
Tese: É proibido proibir
Antítese: Negação da negação
"Ora, e quanto à síntese?"
(A História nos avisa que a síntese ainda está desempregada)

Cracóvia nos convida para o...

... prenúncio do tenor em dois atos

Restaurante "Arca de Noé"
Conheçam nosso frio Jardim de Verão (sic do General Inverno)

O polonês e o discurso da servidão voluntária, ou pior, compulsória:
PIWO, parente com menor teor alcóolico da cerveja russa, PIVO
Abaixo: o exército perfilado do Leste Europeu

Anfitriã nua

Coleta seletiva - e enregelada

Há quem olhe para esta Muralha e veja o esplendor do todo imemorialmente constituído
Não se pode deixar de apreendê-lo
Meu olhar tenta capturar, no entanto, o silêncio prostrado e imemorialmente abstraído daqueles que empilharam os tijolos sob o açoite do General Inverno
Como reconhecimento medieval, seus ataúdes são as fundações da muralha aristocrática ao redor da qual os moradores dos burgos viviam e contra a qual, dentro de alguns séculos, os burgueses viriam a se indispor

Com um General Inverno de -35ºC, as casas geminadas lembram aos burgueses supostamente auto-suficientes que é preciso caminhar pelos escombros chamuscados do calor humano

Por vezes, a estória encontra seu leitor ideal

Olhar penso por sobre os ombros

Seria difícil descobrir onde o antigo Estado Satélite de Stálin na Polônia construiu seus edifícios funcionais?

Blasé

Solidão pálida

Degelo

E/ou

Quem não se lembra do Piu-Piu?
(Agora entendemos a persistência do Frajola, não?)

A aristocracia em seus estertores: a sacada nobre prenuncia o palanque da futura sociedade de massas

Que soem as Trombetas de Jericó, here we have an important announcement to be made:

Do come, otherwise...

A maquiagem e o entorno mimético

O espasmo que prenuncia a revelação

O silêncio que prenuncia a oração

Após nos depararmos com o irmão de Narciso abaixo retratado, talvez possamos dizer que a História foi muito dura com o pai da vaidade. Senão, vejamos: Narciso não se enclausura em si mesmo lançando mão do toque solitário; em verdade, em verdade o mito nos diz que Narciso vê sua imagem refletida e por ela se apaixona. Ora, ou muito nos enganamos ou a imagem especular já é um outro para Narciso, ainda que ela seja projetada desde o eu.
A vaidade de Narciso pressupõe o homem como animal social para que a beleza seja eleita a partir de uma comparação e de um cotejamento com um outro, ainda que o polo de distinção esteja fixado no eu.
Quando Narciso se considera ainda mais belo refletido por um espelho suntuoso, a História desvela as contradições sociais que ainda não puderam ser dirimidas: a beleza de Narciso pisa sobre os dorsos vergados dos sujeitos abstraídos que, com a mediação do trabalho socialmente usurpado, viabilizaram o belo para que Narciso individualizasse o belo que só a divisão do trabalho pôde erigir

A mão que balança o berço

Prolegômenos para todo o suicídio futuro

É difícil ficar "de olhos bem fechados", Mrs. Kidman

Será que ela sabe quem quer?

Pela Europa toda, sobretudo por influência turca, o (Dönner) Kebab,
um enrolado com carne de carneiro, repolho, cenoura, tomate e o que mais Deus permitir
(Não sei por que houve forte oposição ao Kebab por parte do Partido Verde Nacional, mas há uma estreita correlação entre a ausência de latidos e miados poloneses no verão e o aumento do consumo de Kebab)

Quando algo é permitido, já não se sabe o que fazer, ainda que todos os caminhos levem a Roma

Liberdade condicional

Picasso polonês

Soslaio

Cracóvia nos lega a crítica da razão cínica. Senão, vejamos:
apenas Cristo tem as mãos transpassadas por pregos; os irmãos de Judas e Barrabás estão amarrados às suas respectivas cruzes

O resquício da franja como a última mediação para o desejo

Prefiro a charrete

Meus amigos, preparem-se.
Quando o Subsolo das Memórias for a Moscou , reencontraremos a beleza eslava corporificada pelas russas

A plenos pulmões

!

Cracóvia ecumênica
P.S.: A partir da semana que vem, voltaremos a encontrar Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, dessa vez com um amigo inusitado, o cineasta sueco Ingmar Bergman. Aguardem.